Capitulo Dezenove - Gwen
Os monstros de Hazazel são um pouco
burros. Na verdade, eles são muito burros! O que fazem serem oponentes fáceis
de lidar. O grande problema é quantidade. Eles literalmente brotam do chão. Eu
derroto dez e vem mais trinta! Assim fica mais difícil! Se eu não tivesse com
tanta raiva do Caleb, da Lucy, já teria cansado! Raiva parece um ótimo
combustível em lutas assim. É quase como ter um saco de pancadas eterno.
A caverna subitamente começa a ter
luz saindo dela. Era uma luz muito forte, do tipo que cega. Os monstros de
Hazazel começam a virar pó enquanto uma figura sai da caverna. Será que é outro
inimigo? Quer dizer, Hazazel é louco o suficiente para ter como aliado alguém
que transforma suas marionetes em pó. Contudo, aquela luz não me fazia ter medo
ou raiva. Era calorosa, aconchegante e familiar. Quando aquela explosão de luz
acaba sobra apenas uma jovenzinha morena com Emma e Arya atrás dela. Beverly
Blood. Parecia que cada célula do meu corpo estava reagindo à mera presença
dela. Não é possível que ela fosse tão poderosa. Minha mãe e minha tia teriam
comentado algo do tipo. Beverly é uma lenda em nosso reino, mas eu não
imaginaria que ela fosse do tipo em que a sua presença fosse sentida pela
terra, pelo céu, pelas plantas e até pelas células dos nossos corpos. Isso que
podemos chamar de presença impactante. E olhando para seus olhos eu entendi o
que Xyn queria dizer com o fato de Alaryk e Beverly ter olhos parecidos. A cor
é diferente. Os olhos de Beverly são azuis e vibrantes e os de Alaryk são cinza
e frios, mas contem a mesma energia poderosa e única. Só que a Bev parecia doce
e simpática. E Emma é tipo uma gêmea incompleta.
-Vamos sair de dentro do Grandion?
Pergunta colocando as mãos nos
quadris.
-Grandion? Dentro? De dentro do
Gradion?
Pergunta Zoey arregalando os olhos
verdes. Acho que meu estomago embrulhou. Dentro do Lizard? Estamos dentro do
Lizard! Emma coça a cabeça ao perguntar:
-Ué! Isso não é uma caverna?
-Não...
-E não é uma cadeia de montanhas?
Completa Ethan com os olhos
arregalados. A voz dele estava um pouco tremida!
-Também não!É o Grandion!
-Você não acha que o tamanho dele é
exagerado, não?
Indaga Arya sem senso de respeito.
Bem, Arya só falta matar o rei de Master Great com suas mãozinhas! Então
despeitação é com ela mesma.
-Ele comeu uma coisinha que não
devia e está com energia acumulada. O que me lembra que não vocês não podem ficar
aqui por muito tempo.
Responde Beverly coçando a cabeça e
sorrindo. Eu sempre imaginei que ela fosse mais nobre. Quer dizer, você não
deve se sentir confortável perto de um monarca, não é? Só que a Beverly dá
vontade de apertar as bochechas e gritar: Coisa fofa, meu Deus! Não sei como
ela consegue controlar o tio Alef!
-O que foi que ele comeu
exatamente?
Interroga Arya, ainda despeitada
como só ela.
-Uma bomba?!
Responde Beverly desviando o olhar
como uma menina amarela.
-O que?!
Grita geral como um coral de
incrédulos. Alaryk bufa de desprezo. Beverly nos dá uma risadinha ao repetir:
-Uma bomba de hidrogênio.
-Quê?!
Repetimos em coral. Tem um mundo
dentro da barriga de um Lizard que comeu uma bomba de hidrogênio. Minha
cabecinha não está aguentando isso..
-Por isso vocês devem sair daqui!
Continua Beverly nos ignorando!
Suponho que reações do tipo são muito comuns! Arya cruza os braços e retruca:
-E você está a dezoito anos nesse
lugar!
-Radiação não me afeta, bobinha!
-Afeta aos seus Lizards
aparentemente!
-Meus Lizards são acumuladores de
energia! Eles vivem de toda forma de energia e estão ajudando a Grandion a não
expandir ainda mais até que eu use essa energia. O que vai ser difícil! Até lá
ele não vai poder voar.
-O que é obvio! Um bater de asas e
esse bicho vai mudar toda a geografia a terra de novo!
Resmunga Alaryk com os braços
cruzados seguindo Beverly que se dirigia a saída. Animais vinham cumprimentá-la,
as flores estavam virando em sua direção.
-É muito poder!
Sussurra Caleb com os olhos cinza
arregalados.
-Não tanto! Eu só tenho um!
-Só tem um...
-Sim, eu só posso manipular
energia.
-Imagina se fosse muito!
-Está sendo irônico, Alaryk?
-Eu nunca quebrei uma ligação entre
átomos com meu poder sem precisar de ajuda de ferramentas!
-Bem, eu não teria tido meus filhos
se você não fosse um ótimo cientista, não é? Afinal, com todo meu poder eu não
posso criar vida do nada!
-Mas pode fazer tudo que seja
abaixo disso, em uma apelação sem limites!
-Você tem poderes quase
completamente mentais, exceto pelo truque do gelo, o que inclui uma super
inteligência, ler pensamentos das pessoas com um toque...
-E depois casou com o segundo sadic
mais poderoso existente.
-Super inteligência! Já ganhou!
-Não de você!
-Nem Hazazel ganhou de mim!
-Claro! Ele passa a maior parte do
tempo fugindo! Mas Drakon te arrancou uma costela!
-Eu estava inconsciente!Não vale
como um duelo.
-Vocês são amiginhos?
Pergunta Arya com uma expressão
sombria na face! Ela estava muito estressada!
-Aliados!
Afirma Alaryk. Beverly faz careta
para ele e o corrige:
-Irmãos!
-E a guerra?
Pergunta Zoey com os olhos verdes
arregalados. Beverly coça a cabeça de um dos Lizards que estavam esperando na
entrada da caverna de ovos gigantes de pedras preciosas e pergunta para Alaryk:
-Não terminou há uns vinte sete anos?
Alaryk confirma com a cabeça. Arya
cruza os braços e pergunta:
-E estamos lutando contra quem se
não Master Great?
-Hazazel! Estão sempre confundindo
ele como o Alaryk, afinal eles são iguais!
-Você não disse que não podemos
falar o nome dele?
Interroga Arya com muito mau humor
para Alaryk. Ele se surpreende por um curto período de tempo, afinal ela tinha
falado com ele, e depois responde:
-E não podemos! Ela que pode! A
propósito: ele usou aquele truque neles, Beverly!
-Estão cansados! Não é pra menos!
-Que truque?
Pergunta Cyrus, cruzando os braços.
Ele estava esquisito!
-Ele te toca e fala suas
inseguranças misturadas com mentiras para fazer você pensar que esta sentindo o
que ele quer que você sinta!
Responde Beverly, indo em direção
da luz com um monte de Lizards agarrados nela e a seguindo.
-Manipulação mental!
Resume Alaryk calmamente. Chegamos
à entrada da caverna. Os Lizards saem primeiro, alcançando vôo. Eram centenas,
de todas as cores e quão mais alto voavam maiores ficavam. As nuvens ficaram
pesadas e momentos depois raios começaram a riscar o céu! Beverly começa a
correr e pula do precipício.
Quando olhamos para baixo ela
estava montada em um gigantesco Lizard prata que toma vôo para cima. O bicho
tinha uma boca grande o suficiente para engolir um Sauter grande inteiro sem
mastigar! Olho para Beverly. As pupilas dela tinham virados fendas. Parecia com
olhos de um réptil. E sua presença tinha parado de ser confortável, para ser
intimidadora. Eu teria medo de encará-la em batalha.
-Não se preocupem vocês não irão
mais lutar. Meus Lizards vão levá-los até o acampamento, isso é claro, se
tiverem coragem para montá-los. Se não tem coragem, nem tente! Atravessar a
floresta negra novamente é menos perigoso.
- Não fode, tia.
Resmunga Arya olhando para o
penhasco. Ela se espreguiça, levantando os braços para o alto, depois estica as
pernas, então vira com o calcanhar, nos manda um beijo, abre os braços e cai do
penhasco. Beverly levanta as sobrancelhas.
-Para se apaixonar por você, só
podia ser louca mesmo.
Comenta fazendo Alaryk corar como
um adolescente.
-Eu não estou apaixonada.
Resmunga Arya sentada em cima da
cabeça de um Lizard, que estava estrábico tentando olhar para ela. Ela escala
para o cangote do Lizard e o abraço com uma cara de quem vai dormir.
-Você é corajosa ou preguiçosa?
Pergunta Emma assoviando para
baixo. Um Lizard começa aparece e ela o escala.
-Preguiçosa.
Responde Arya sorrindo por embaixo
da sua cara de sono supremo. Emma da uma risadinha. Depois das duas todo mundo
acaba montando um Lizard. Era estranho. Estávamos bem alto, o Lizard era um ser
gigantesco, cheio de escamas, mas parecia ter alguns lugares ideais para
colocar as pernas e era quentinho como um cobertor. Eles mergulham em alta
velocidade fazendo com que o vento castigasse nossos rostos e os pelos subissem.
Os raios nos seguiam, mas a chuva não caia. Lembrei de um ditado que minha mãe
resmunga sempre que cai chuva forte: Os dragões carregam os raios e a vitoria. Quando
chegamos ao acampamento infestado de Sauter e desespero, e os Lizards
mergulharam com suas bocarras abertas devorando Sauters como se fossem
petiscos, limpando o acampamento em um décimo do tempo que conseguiríamos,
entendi o que aquele ditado quis dizer. De algum modo, era uma cena linda.
Os Lizards aterrissam no meio do
acampamento.
O silencio tomava conta do lugar.
Beverly é a primeira a descer. E é
recebida com um abraço conjunto de seis rapazes que praticamente a cobre.
Vinicius estava com o rosto sujo e os olhos arregalados, um pouco confuso.
Richard não moveu um único músculo, só olhava para a mãe dele, dando e
recebendo carinho. A trupe de príncipe parecia que tinham recebido o presente
de aniversario que queriam. Era uma barulheira, por que todos falavam ao mesmo
tempo. Isso até o Alef chegar. Todos os príncipes pararam. O Dark pareceu que
rejuvenesceu assim que olhou para a Beverly. Era uma expressão tão suave que
chegava a ser absolutamente encantador e angelical. Ele parecia outra pessoa. A
Beverly também parecia uma adolescente. Ela estava corada.
Beverly estende a mão para Alef e
ele segura seu pulso. E a puxa com para um abraço.
-Vamos para casa, Bev.
Foi uma noite estranha. Não
sabíamos se fazíamos festa ou choro. Particularmente eu estava aliviada! Sair
daquela floresta inteira e ter cumprido a missão era o suficiente, mas eu não
deixava de ter a impressão de que essa calmaria ia durar por pouco tempo em
minha vida. Eu estava fugindo de Caleb e não aguentava olhar para cara da Lucy.
De algum modo eu estava apenas esperando o anuncio. Não sei o porquê do meu ser
ter aceitado em um mentiroso de carteirinha, mas de algum modo, meu coração
insistia que tinha alguma verdade naquela historia. Lucy grávida do Caleb?
Será? E principalmente, sou ou não sou filha da minha mãe. Tenho quase a mesma
idade de Lucy, então isso seria impossível, né? E sou a gêmea do Zayn, que a
propósito está sumido desde que inventou de viajar o mundo.
-Você esta calada de mais, Gwen!
Resmunga minha mãe deitada em uma
rede, até aquele momento ela estava sorrisos que só. O meu pai estava
organizando as matilhas para voltamos a base dois. Com os Lizards se
banqueteando de Sauters, logo o reino estaria livre dessa praga novamente.
-Você acha?
Sussurro olhando para ela. Éramos
parecidas. Tínhamos o mesmo tom de cabelo, as mesmas sobrancelhas e o mesmo
nariz.
-Temos que dar um jeito em sua auto
estima.
-Por quê?
-Você duvida de mais!
-O que?
-Está sempre com duvidas, Gwen.
Duvida de si mesma, do seu sangue, até da honra do seu pai, e nós temos que dar
um jeito nisso. Se tiver tantas duvidas não se moverá, continuará parada, com a
vida passando por você sem ser ninguém, só mais um potencial desperdiçando no
mundo. Não te botei no mundo para você desperdiçar sua vida com duvidas.
-Como você sabe?
-Mães sabem das coisas! E quando
não sabemos as tias falam! E só pra constar: você é uma Blood! Nasceu Blood e
morrerá Blood.
-Sim senhora.
Digo levantando, com um sorriso
meio morto no rosto. Resolver minhas duvidas, não é? Já que minha mãe respondeu
uma, vou ter que perguntar para o Caleb se ele e Lucy vão ter mesmo um filho.
Meu coração estava esperançoso, apesar de um canto da minha mente está
desconfiado. Sigo o cheiro do Caleb. Era tão fácil de identificar. Eu tinha a
impressão de que sentia o cheiro dele em mim mesma. Tinha um grupo comemorando
a fogueira, enquanto outro cuidava dos feridos. O fogo queimava mais forte que
nunca na fogueira e dentro de mim. A lua estava cheia, um pouco vermelha de
mais para o meu gosto. Sigo para dentro da floresta. O cheiro do Caleb
misturado com o de mato e cada vez mais forte. O encontro em uma lareira,
sentado em um tronco caído, arrancando mato. Parecia pensativo.
-Caleb.
Chamo um pouco insegura. Eu sabia
que ele me ouviria, mas eu detesto essa voz de insegurança. Que tipo de Alfa eu
sou?
-Sim.
Responde olhando para a lua.
Parecia tão frio e distante. Começo a sentir meu coração se partir. Foi só uma
rachadura. Espero que se mantenha apenas nisso.
-Eu te amo.
Digo sem pensar, ficando vermelha
até a raiz. As palavras saíram da minha boca com uma facilidade constrangedora.
O que eu estou fazendo? Parece que eu quero que meu coração seja moído, como se
não fosse incomodo o suficiente esse aperto que sinto nele.
-Não vamos dar certo, Gwen.
Ele está me rejeitando. Agora sim,
meu coração trincou, mas não caiu em pedacinhos. Ainda não caiu em pedacinhos,
mas era o suficiente para que eu quisesse passar o resto da vida deitada em
posição fetal e nunca mais olhasse para os olhos dele.
-Você acha isso mesmo?
-Você não pode competir com a Lucy.
-Não posso... Competir... Lucy. Ela
está... Gra...gr...ra...a.
-Sim! Um novo Alfa Sparrow vai
nascer e eu não posso perder tempo com você!
Responde levantando e me deixando
sozinha. Acho que dizer que me coração estava um caco não é o suficiente, é
eufemismo. Eu não conseguia me mover. Não conseguia pensar. Eu não conseguia
respirar direito. Eu era uma perca de tempo. Burra e tola. Meu Deus!! Eu nunca
vou tomar jeito? Como vou sobreviver a isso? Minhas pernas não têm força.
Nenhuma parte do meu corpo parece com vida, exceto meu coração que doía. Doía
tanto que acho que vou morrer. Aqui no meio da floresta afogada com minhas
próprias lagrimas. Sem nenhuma reação. Acho que adormeço.
Acordo dentro de uma caminhonete.
Um edredom azul me cobria. A paisagem ainda estava nublada. Meus olhos estavam
mais pesados do que o normal. Meu coração ainda doía a ponto de que eu querer
chorar. Era um aperto esmagador, como se ele fosse pesado de mais para o meu
corpo. Olho para o meu pai dirigindo, com os olhos verdes azulados fios na
estrada. Ele estava decepcionado por eu ser tão fraca? Possivelmente sou um
desperdício de seu sangue. Péssima alfa, péssima filha, péssima amante.
Desperdício de oxigênio ambulante. Começo a chorar quase imediatamente. Eu sou
tão fraca!
-Gwyneth, eu sinto muito.
-Por quê?
-Por que eu não cumprir meu dever
direito.
-Não é sua culpa se eu não herdei
os seus melhores genes.
-Gwyneth, cale a boca. Quem parece
que não é minha filha é a Lucy!
-Por que ela deu para o Caleb e
ficou grávida?
Minha vontade foi gritar: eu também
dei para o Caleb, me deserde, por favor, por que eu não sou mais uma loba, sou
uma burra. Mas não consegui mexer a boca. Foi um comando? Meu pai não é do tipo
que fica dando comandos sem mais nem menos.
-Não, esse tipo de vacilo está nos
genes dessa família. A Lucinda sempre foi problemática em outros sentidos. Ela
sempre foi manipuladora e eu fique esse tempo todo fingindo fechar os olhos. Se
a família esta com em crise agora e por que eu vacilei.
-Para onde estamos indo?
-Onyx! Sua mãe, Beverly e eu
concordamos que ficar lá por um tempo será melhor para você! Tem que
desenvolver algumas habilidades antes de enfrentar Lucy e Caleb novamente. E eu
ainda espero muito de você.
-Não espere, eu sou um fracasso.
-Está sendo dramática! Ou talvez
todos os jovens são dramáticos quando ganham um espancamento amoroso!
Retruca minha mãe me dando um
susto. Ela olhou para a floresta nevoada, disfarçando uma expressão de raiva.
Eles sabem? Sabem a humilhação que passei? Eu me sinto tão pequenininha.
-Mãe?!
-Nem percebeu que eu estava aqui,
né? Você achou mesmo que vou te largar em Onyx sozinha?
-Eu nem pensei nisso!
Resmungo falando a verdade. E meus
pais sorriem um para o outro e minha mãe me faz um cafuné.
-Que bom!Assim não se decepciona!
Olho para as montanhas. Onyx, né?
Será a oportunidade de começar de novo. A minha chance de me reerguer. Dou um
sorriso para o futuro, meu coração ainda dói, eu quero mesmo é ficar na cama
pelo resto a minha vida, mas eu não morri, né?Contudo, não deixei de pesar ter
ouvido um longo uivo de tristeza. Minha impressão. Ninguém que importa está
triste com minha partida.
Demorou um tempo até chegarmos em
Onyx. Quando a vi de longe fiquei impressionada. Onyx parece um globo de neve.
Tinha uma camada azul que parecia pura energia cobrindo uma cidade branca. Era
linda. Eu me sentia esperançosa ao olhar aquela cidade acima das montanhas,
pairando no céu. Minha nova vida seria ali.
Onxy era absolutamente agradável.
O clima não era absurdamente frio,
a arquitetura era bonita o suficiente para querer sair de casa e existia uma
sincronia assustadora entre natureza e modernidade que a fazia uma cidade de
fadas na terra sem magia. Parecia que Beverly estava gravada em cada pedra
dessa cidade e em seus moradores. As casas alvas tinham jardins e estufas dando
cor a área residencial da cidade. Beijar-flores de penas coloridas e brilhantes
voavam por todo canto como fadinhas rápidas competindo corrida com borboletas
de todas as cores.
-Onxy é uma cidade planejada para
ser no mínimo uma cidade de anjos e fadas.
Comenta minha mãe colando a cara no
vidro do carro, com os olhos arregalados, como uma criança no parque de
diversões. Eu simplesmente imaginaria uma capital mais suja.
-As cidades planejadas normalmente
não dão muito certas depois de quarenta anos, e algumas ainda antes, e quando
dão sempre é à custa de alguém.
Constato sendo um pouco negativa. Minha
mãe faz uma cara feia e resmunga um pouco brava:
-Você não viu os vilarejos ao
redor.
-Os vilarejos?
-Sim, quem não consegue viver na
capital, mora nos vilarejos e cidadelas ao redor de Onyx. Fazemos o possível para ter uma quantidade
equilibrada de área verde, área residência, área urbana e pólo industrial. Sua
tia perdeu noites pensando em cada detalhe e em como manter o projeto pela
maior quantidade de tempo possível. Precisa-se de permissão para morar em Onyx,
e quem não consegue mora ao redor da cidade. Temos mais de um prefeito para
manter-la no controle. Tem o prefeito da cidade principal, Kylle Gabriel, e
outros sete das cidadelas ao redor. E a linha ferroviária alcança toda essa
região. Os carros normalmente são equipados para vôo, assim não precisamos de
muitas avenidas, apenas as necessárias para pouso e vôo, e as garages
normalmente são no alto. As ruas são apenas para pedestres e ciclistas. E temos
captadores preparados para receberem ozônio e os transformarem em energia, isso
sem contar as regiões verdes.
-Carrie, você está muito animada.
Avisa Cam, contendo um sorrisinho.
Ele olha para mim e comenta sussurrando:
-Ela adora essa cidade.
-Percebi. Por que não estamos
voando?
-Nós não moramos na área
residencial.
-Não?
-Quer que seu pai seja preso por
atentado ao pudor?
Pergunta meu pai com um meio
sorriso. Ah! É por isso. Acho que na área da cidade a tolerância a pelador a
muito menor do que as Bases.
-Ah!
-Moramos na área verde. Wolfs e
Fairys são os únicos que tem permissão para morar naquela região. Claro que tem
um monte de regras a serem seguidas, mas todo mundo concorda que precisamos de
mais espaço.
-Tem muita gente na área verde?
-Um vilarejo.
-É onde vocês nasceram e passaram
os primeiros anos de suas vidas!
Completa minha mãe com um
sorrisinho no rosto. Ela estava com uma cara sonhadora. Que coisa estranha!
O carro entra em uma estradinha,
saindo da avenida. A estradinha percorria toda a floresta da área verde, até
chegarmos a um caminho em que as arvores pareciam fazer um corredor, com suas
copas se tocando. No final do corredor tinha um arco de madeira com flores
trepadeiras subindo por elas com uma imensa placa: Bem vindos a Vila Carvalho.
Vi as primeiras casas da vila logo
que de imediatos. Eram de madeira, algumas em cima das arvores, outras no chão.
Mulheres e homens pareciam trabalhar em hortas e jardins, outros reformavam
algumas casas, vi crianças fazendo excursão escolar, barulhentas e brincando
com se o mundo fosse limitado àquelas árvores. Alguns Sadics mais velhos
paravam ao ver o carro passar e nos cumprimentavam. Paramos em uma casa no alto
da colina. Ela parecia ter sido construída ao redor de uma arvore gigantesca,
com a copa que fazia sobra pela casa inteira. As paredes, o piso, as janelas e
as portas eram de madeira e o telhado era vermelho. A casa parecia pequena se
comparada a arvore. Meu pai estacionou o carro. Desci calmamente. Não sei o
porquê, mas o ar daqui parecia diferente. Morei perto da floresta minha vida toda,
mas não me lembro dessa sensação de conforto e paz.
Alguém sai correndo de dentro de
casa. Era uma mulher de cabelos azuis e parecia já ter quarenta e alguma coisa.
-Cam, Carrie! A Angel acabou de me
ligar!
-Aconteceu alguma coisa, Bonnie?
-Sim, a Zoey fugiu de casa com o
Cyrus!

Comentários
Postar um comentário