Capítulo Vinte - Zoey
Depois de três horas de avião
estávamos em Master Great. A mão de Cyrus estava quente sobre a minha, mas ele
não falou nada desde que eu me despedir aos choros da minha mãe. Nos duas
choramos mesmo sabendo que era o necessário depois da volta de Derek Trouble.
Não me despedi de ninguém a não ser ela. Nem de Emma, nem de Arya, nem da Gwen,
muito menos do meu pai. Todos eles vão achar que eu fui uma irresponsável
ingrata que fugi e provavelmente vai voltar com o rabo entre as pernas. Eu só
não sei se dá para considerar isso como uma fuga, quando sua mãe, sua rainha e
seu ex-amigo morto ressuscitado agora rei tramam o seu casamento para evitar
uma nova guerra dos infernos entre os clãs mais importantes de ambos os países,
o que resultaria em um inicio de uma nova indesejada luta armada. Minha união
ás pressas com Cyrus adiaria nossas famílias brigarem até a morte, mas
aparentemente, é mais conveniente e rápido que fujamos do que preparar todo um
casamento comum e cheio de burocracias. Sem ter que enfrentar nossos pais. Bem
se Dexter e Derek se encontrarem vai ser o desastre. Por enquanto ao menos.
Se não fosse essas circunstâncias
eu estaria exultante de alegria por casar com o Cyrus. Apesar de que adiaria
isso para daqui a dez ou vinte anos.
-Estamos chegando.
Sussurra Cyrus olhando pela
janela. Sigo seu olhar e vejo as luzes de Colossos, brilhando e piscando.
Estávamos usando um avião de Alaryk (Aspen, rei, ressuscitado, nem digeri isso
ainda) emprestado. Ele viria para meu casamento que vai ser depois que
recebêssemos a benção da mãe de Cyrus, que vou conhecer amanhã, e arrumássemos
os materiais para o Ritual de União da Tribo Argent. Aparentemente a maneira de
se casar mais rápido aqui em Master Great é indo atrás da Tribo Argent, que tem
permissão para conceder certificados casamenteiros validos, desde que todas as
tradições sejam seguidas a riscas. Arrumar um casamento Argent demora cerca de
dois dias, o que é muito mais rápido do que um casamento no cartório, em que
teríamos que esperar cerca de um mês no mínimo. E não temos esse tempo.
-Acho que vamos ter muitas
surpresas!
Digo quando saímos do avião.
Colossos era muito mais fria do que Onyx. Fria a ponto de ver sair vapor da
minha boca e das luvas não esquentarem minhas mãos direito. Como se soubesse,
Cyrus segura uma das minhas mãos. Mesmo sendo de noite e eu está tão cansada
que dormiria no chão, Cyrus me fez perder o fôlego. Pela centésima vez hoje.
Ele estava usando um casaco preto, o cabelo loiro caindo sobre os ombros, em
tons de amarelo, branco, champanhe e vermelho por causa das luzes da pista, os
olhos cinza com manchas azuis estavam um pouco cansados, mas tinham um brilho
exultante, e novas sardas tinham se formado em seu rosto, a maioria douradas,
outras castanhas. Ele era tão lindo que dava até para esquecer como ele poderia
ser um anjo da morte. Cyrus sorriu pra mim e beijou minha mão, antes de
comentar:
-Minha mãe com certeza vai ter
muitas surpresas. Nunca levei ninguém pra que ela conhecesse.
-Sou a primeira?
-A ultima.
Responde colocando a outra mão no
bolso. Perdi o meu fôlego por alguns momentos. Isso foi tão fofo! Meu Deus! Meu
coração deve ter inchado ou algo do tipo e meu rosto com certeza está em um
vermelho intenso. Um carro preto e chique nos esperava. Era de ultimo modelo.
Um chofer abriu a porta para nós. Cyrus apenas acenou com a cabeça. Entramos no
carro e ele não tinha soltado minha mão ainda. O chofer falou em francês com
Cyrus, que responde alguma coisa, e foi particularmente bonito.
-Você tem uns momentos que...
-Que?
-Não tenho palavras para
descrever.
-É algo bom?
-Sim!
-Então tudo bem.
Diz levantando a sobrancelha e
sorrindo. Sorrio de volta. Nunca fiquei perto do Cyrus na calmaria. Mesmo que
seja apenas superficial, em todos os momentos que estivermos juntos estávamos
com o estigma de inimigos gravados na testa ou em perigo. Agora, nesse carro
silencioso, estávamos em relativa calmaria, de mãos dadas, como um casal
normal. Eu gostei. A sensação de conforto estava empurrando a culpa para o
fundo da minha mente, deixando apenas uma sombra. Eu me sentia cada minuto mais
conformada.
Olho pela janela. Colossos é uma
cidade sem ruas para automóveis, com estufas, praças e prédios altos e pratas,
a maioria em forma hexagonal. Passarelas e escadas rolantes as conectavam, dando
a impressão de que a cidade era um imenso shopping a céu aberto. Inclusive,
existiam prédios que flutuavam. Em cima de nós, a noite parecia coberta por
estrelas moveis. Quer dizer, pelo menos daqui parecem estrelas moveis. Acho que
são faróis. Era estranhamente organizados, como bambolês de luzes circundando
prédios em todas as partes. Então essa é uma cidade exclusivamente sadic. A
cidade de Alaryk tinha sua personalidade impressa nela. Uma loucura metódica,
perfeccionista, altamente tecnológica. Consigo imaginar essa cidade saindo da
mente de Aspen com precisão, clamando: Bem vindos ao futuro.
-Eu quero te mostrar a cidade,
depois da cerimônia. Acho que teremos umas três semanas antes que Dext... Seu
pai consiga algum visto para vim pra cá. Alaryk
com certeza vai atrasá-lo. Então, vamos ter um tempo para descansar
antes de ir para True.
-Cresceu aqui?
Pergunto a Cyrus, que sorri
divertido. Não consigo imaginar minha infância em um lugar imenso e prata como
esse. Parece tão frio e solitário. Acho que isso também fala muito sobre o
Alaryk.
-Sim e não. Aqui é só a área
comercial, no piso inferior é a área industrial.
-Tem isso inferior?
-Sim tem mais dois pisos até as
turbinas.
-Aspen é muito criativo.
-Sim, ele é!
-Até de mais para o bem a
humanidade.
Resmungo, tentando não pensar que
essa cidade imensa esta voando! Não sei o porquê de uma cidade voadora. O mundo
não precisa de uma cidade voadora. Talvez o ego de Aspen precise, mas ninguém
mais precisa. Exceto os greateanos, é claro, para eles terem uma cidade que voa
deve ser o mesmo que para os onixenses em questão dos Lizards. Na minha humilde
opinião dragões e cidades flutuantes são legais e desnecessários no mesmo
nível, mas se me perguntarem, direi que dragões são mais legais por questões
familiares, é claro.
-Existem outras cidades
flutuantes?
-Bem, só os centros das cidades
que são. Escolas, casas e hospitais estão no solo e quem não tem seu próprio
automóvel pode pegar o metro.
-O metro voa?!
-Sim!
-E esses centros voadores ficam
no ar vinte e quatro horas?
-Humru.
-E eles tiram tanta energia de
onde?
-Quem sabe!
-Vou perguntar para Aspen.
Resmungo um pouco vidrada com
todas as luzes. Eu conseguia sentir os olhos e Cyrus sobre minha nuca. E minha
ele esquentando. Meu Deus! Detesto essas reações que meu corpo tem. Cyrus toca
um ponto em minha nuca que meu cabelo para o lado deixava a mostra e eu sinto
um arrepio sensual percorrer meu corpo.
-Tem uma pinta bem aqui.
Sussurra com a voz grossa e o
sotaque pesado. Olho-o de relance. Cyrus esboça um sorriso. Meus olhos fixam-se
nos lábios dele. Minha mente tenta fazer a conta de quanto tempo não beijo essa
boca. Em vão. Meu cérebro não está funcionando, por que estou ocupada
assimilando outras informações. O cheiro de Cyrus. Sabonete, creme de barbear,
shampoo com alguma fragrância herbal. O calor e o tamanho de seu corpo, se
movendo em minha direção, mudando de sentido. Suas mãos segurando meu cabelo. E
então tudo isso culminando, em seus lábios em minha nuca. E depois os dentes
raspando em minha pele. Todo meu corpo retesa, corando e formigado. Cyrus
aparece em meu campo de visão, sorrindo. Ele me beija. Terno, profundamente e
calidamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. E me beija demoradamente
com os lábios, a língua e suspiros. Até que eu esquecesse o mundo e perdesse o
fôlego. Até abrirem a porta do carro.
Desço desnorteada. Cyrus atrás de
mim. Seu braço enrola em minha cintura me sustentando. Olho para a construção a
minha frente. Era um palacete branco e rosa, com roseiras vermelhas na frente.
Olho para cima e vejo longe centro. A porta branca abre e sai um mordomo
vestido de preto e branco. Ele faz uma reverencia.
- Bienvenue, monsieur Cyrus.
Cyrus responde em francês. Acho
que ele chama o mordomo de Franz. Cyrus continua a falar com Franz em francês.
Não o entendo, mas pelo seu tom de voz, deduzo que ele é o patrão.
Franz nos guia pela casa até a
sala de visitas. Sento no sofá. Cyrus continua a dar ordens. Olho o ambiente.
As paredes são cor de lavanda clara, o forro do teto muito branco, o sofá está
estofado com vermelho bordo e os moveis são de madeira. Há fotos em porta
retratos bonitos e decorados, pinturas nas paredes e flores em cima dos moveis.
A presença feminina na casa é forte, com cheiro de berry e cor lilás.
-Essa é a casa da minha mãe.
Tenho um apartamento no Vila Ecto, mas faz um tempinho que eu não venho aqui?
-Por que?
-Sou um Shadow. Ou melhor, era.
Estava sempre viajando acompanhando o Ethan para lá e para cá. E quando estava
na cidade, eu tinha apenas uma folga no mês.
-Se eu fosse sua mãe eu te
esganava!
-Se eu fosse minha mãe também
faria isso.
-Como sou a sua mãe posso afirmar
que estou muito tentada a isso.
Afirma uma voz feminina com um
firme sotaque francês. Não precisei de muito pra saber que era a mãe de Cyrus.
É loura champanhe, com cabelos chegando à cintura, os olhos cinza tinham
manchas azuis e usava uma camisola azul celeste por baixo e um kimono azul
marinho. Ela tinha uma beleza grandiosa e solene, o que fez com que eu me
sentisse uma batata. Uma batata sem sal e mal descascada. Não é uma boa
sensação. A deusa da minha sogra não espera muito antes de envolver Cyrus em um
longo abraço. Encolho no sofá. Sou uma batata. Não aguento essa aura de beleza
divina, apesar de estar feliz por Cyrus.
-Mãe!
-Cyrus Thomas Owl Trouble,
esqueceu-se de que tem mãe para prestar contas?
Pergunta puxando as bochechas
dele. Sinto um sorrisinho se formando em meu rosto. Cyrus parecia domado,
irreconhecível, novo. Não sei de onde veio, mas alivio invadiu meu peito. Quente
e forte.
-Não senhora!
-Você tem Thomas como segundo nome!
Comento esquecendo minha
vergonha. Eu tenho muito a saber sobre o Cyrus. Conhecer mais de suas outras
faces. Conhecer o Cyrus filho, o Cyrus marido, o Cyrus pai... Esse que eu vejo
agora é particularmente agradável. De uma suavidade apaixonante. Cyrus sorrir
antes de recrutar docemente:
-E você tem Victoria!
-Victoria?!
Diz a mãe de Cyrus meio surpresa,
meio feliz, olhando para mim com assombro desconcertante. Ah! É mesmo. Sou a
primeira namorada que é apresentada a ela.
-Mãe, essa é Zoey Blood, minha
noiva. E Zoey essa é minha mãe, Rosely Owl.
Apresenta meu namorado, olhando
para a própria mãe com um sorriso radiante. Rosely arregala os olhos quando
ouve meu sobrenome, mas não vejo hostilidade ou raiva em seus olhos. Apenas
surpresa.
-Prazer em conhecê-la.
Digo me levantado e fazendo uma
reverencia. Rosely pisca como se não esperasse algo do tipo e segura o casaco
de Cyrus ante de perguntar:
-Você disse Blood?
-Sim, eu disse.
-E depois noiva?
-Humrum.
Confirma Cyrus. Rugas aparecem na
testa de Rosely. Ela é menor do que Cyrus, mas de alguma maneira, agora, tinha
mais presença do que ele. Meu coração bateu mais rápido. E se ela me reprovasse?
-De qual Blood você é filha?
-Angel Blood.
-Graças a Deus!
-A senhora não se importa?
Pergunto incrédula. Ela acabou de
dizer “graças a Deus”? Tipo, como se não tivesse nenhuma historia entre meu pai
e o marido dela? Como se não tivéssemos um histórico sangrento e feio? Ou eu
estou ouvindo coisas. Rosely piscou, olhando para mim e perguntando:
-Por que eu me importaria?
Até Cyrus ficou surpresa com essa
frieza. Então Rosely arregalou os olhos, bateu um dos punhos na palma da mão
aberta como alguém que formulou uma idéia incrível ou chegou a uma conclusão
única e exclamou:
-Ah! Sim! Meu marido.
Francamente, seu pai é um anjo na minha vida.
-Não sabia que tinha essa opinião.
Resmunga Cyrus meio surpreendido.
O olhar de Rosely muda. Tornando ácido e doloroso. Derek não era um assunto agradável.
Para ninguém aparentemente.
-Seu pai Cyrus, era um homem
terrível. Eu sempre pensei que passaria a eternidade naquele inferno que era viver
com ele. Dexter Garden salvou minha vida e nem sabe! E agora você vai casar com
a filha dele, que emoção.
-Mãe, eu tenho uma péssima
noticia.
-Não vai casar?!
-Não, não. Eu vou casar! A
notícia é que o meu pai está vivo!
Informa Cyrus, com um pouco e
falta e tato aparentemente, por que Rosely Owl desmaia assim que ele termina de
falar vivo. Cyrus a segura antes que ela caia no chão. Constata obvio com voz
baixa:
-Meu Deus, ela desmaiou!
-Que tipo de marido demônio seu
pai era?
Pergunto, ignorando fato de que
ele parecia chocado e angustiado até. Não fugiu a minha memória o dia que ele
quase assassinou meus pais na minha frente. O Cyrus vingador. Aquele que odeia
meu pai por ter matado o seu. Agora o mundo dele caiu. Sua mãe considera meu
pai um santo e tem medo o suficiente de Derek para desmaiar ao ouvir seu nome.
Ele realmente não conhecia muito do seu pai. Éramos muito pequenos quando Derek
morreu o que explica o porquê dele não ter noção de que tipo de relacionamento
seus pais tinham. Apesar de que eu tenho certeza que a pressão de Derek sobre
Cyrus foi grande o suficiente para seu lado Cyrus Anjo da Morte aflorar. Por
outro lado, Rosely também teve uma forte influencia até mais forte do que a de
Derek, que faz com que meu noivo seja normal na maior parte do tempo, e seja
estável. Rosely é uma deusa. Não quero nem saber como ela acabou enrolada com
Derek.
-Não sei, eu estudava em um
colégio interno.
Responde colocando a sua mãe
gentilmente no sofá. Ele senta no tapete. Seu olhar estava confuso. Sento ao
seu lado. Cyrus olha para mim e acaricia gentilmente minha cabeça. Será que ele
já pensou que se Derek tivesse cumprido sua missão eu não estaria aqui? Nunca
teríamos nos conhecido. Essa perspectiva me entristeceu. Se meu pai tivesse
perdido naquele fatídico dia, não existiria o Cyrus que conheço hoje.
-Dos piores, presumo.
Resmunga, deitando em meu colo
logo em seguida.
-Estranho.
-O que?
-Que alguém que você mal conheça
tenha tanta influencia em sua personalidade.
-Não sei como era o
relacionamento dos meus pais, mas sei que se eu não obedecesse a suas ordens a
risca, ou se fosse menos do que o que ele idealizava como filho perfeito,
apanhava horrores.
Diz Cyrus, como quem não se
importa. Os olhos dele revelavam a verdade: ele se importava. Parecia triste.
Cansado. O estresse do dia foi lembrado com a menção de Derek. Afinal estávamos
aqui por causa dele. Do pai de Cyrus. Os olhos cinzentos dele se fixam em mim.
Cyrus sorrir. Um sorriso torto. Aquele que eu adoro. Ele toca uma mecha solta
do meu cabelo e pergunta:
-E você? Que tipo de infância
teve?
-Meu pai se tornou super protetor
depois que quase morri e minha mãe teve que se conter para minha infância ter
saúde. Eu fui uma criança... Energética.
-De que tipo?
-Do tipo que colocava sapos na
cama dos irmãos, assaltava cozinhas e brincava de brigar. Estava sempre
arranhada.
-Parecia bem divertido.
Comenta mais relaxado. O sorriso
dele aumentou. Meu coração foi a mil. Quer dizer, saiu de mil para dez mil.
Tenho até medo que exploda ou alguma coisa desagradável do tipo. É assustador
como o meu corpo reage a cada coisinha que o Cyrus faz. Francamente, estar
apaixonada é um incomodo.
-Como era a sua?
-Não divertida. Traumática. Do
tipo que congela corações. Na maior parte do tempo. Quando eu estava com Ethan
e o Cyrus, era divertido. Apesar de que éramos idiotas. Os reis dos idiotas.
-Aposto que eram os metidos do
colégio.
-Sim. E mesmo as pessoas agiam
como se fossemos o máximo.
-Deveriam ser um trio e tanto.
-Caleb estava sempre pelado, Ethan
mandava até no diretor e eu era o calado com altas tendências a ser violento
quando irritado. Mudou quando entrei na Academia Shadow.
Cyrus resume sorrindo ainda mais,
como se a época em que colocava fogo no colégio fosse algo a ter saudades.
Então ele era o caladão violento. O violento não me impressiona diferente do
calado. Cyrus é tão sociável, tão relaxado perto de mim, que não consigo
imaginá-lo soturno e calado. Já o vi ser violento. Foi chocante, admito.
Sobretudo, nunca o vi calado por tempo o suficiente para descrevê-lo como
calado. Quanto aos outros, Ethan e Caleb, eram exatamente como imaginei. Agora
saber que a Academia Shadow foi um fator positivo na vida do Cyrus foi
realmente chocante. Quer dizer, meu pai era um Shadow, como meus tios, mas, a
minha vista a AS não lida bem com alunos com fortes tendências violentas.
Afinal, Alef era desse tipo, e ele ficou ainda mais instável depois de se
tornar Shadow. Comento um pouco incrédula:
-Meu tio ficou pior depois que
saiu dela.
-Os Gardens são lendas por lá!
-Jura?
-Sim. Principalmente o Dark.
-Imagino.
-Ouvi dizer que 70% do numero
dele foi daquela época.
-Isso é verdade. Ele foi domado
depois da Beverly.
-E os outros 30?
Indaga Cyrus franzindo as
sobrancelhas louras. Shadows tem licença MPDP (matar por defesa própria) já que
eles próprios sempre correm o risco de serem mortos protegendo os Candles (os
clientes) e LPM7. A MPDP é de validade vitalícia, por que sempre existem
Revenges atrás de ex-Shadows. É um ciclo sangrento. Shadows não são assassinos,
mas muito dinheiro sempre vem amarrado com sangue, o que faz um fato inevitável.
Alef Garden, contudo tem um Phantom. Ele é diferente. Com duas personalidades, e
a secundaria sendo extremamente violenta, foi irresponsabilidade formá-lo como
Shadow. A nossa sorte é a Beverly. Com o poder dela a mente de Alef se mantém
uniforme.
-Tentativas de assassinatos a ele
ou a Beverly.
-É mesmo um numero irreal até
para um Dark?
-Sim!
-Quantos dígitos?
-Três.
Respondo com um suspiro. O numero
do meu tio Alef é segredo de quatorze chaves. Ele tem seu numero antigo tatuado
no peito e em eventos formais e convenções tem que pintar as unhas de preto,
sinalizando que tipo de perigo representa. Alef também só pode usar preto
quando tem conferencias entre lideres de varias nações. Ele é o atual Dark. O
mais problemático já formado.
Ficamos em silencio por longos
momentos. A respiração da mãe de Cyrus suavizou. Ela logo ia acordar. Cyrus
continuou silenciosamente melancólico olhando para mim. Eu tinha impressão de
que ele estava gravando meu rosto em sua mente. Cyrus levanta, deixa seu rosto na altura do
meu, com um braço escorado do meu lado, passando por cima das minhas pernas.
Seu rosto estava um pouquinho para o lado fazendo seu cabelo loiro cair todo
para um lado só. Cyrus sorrir. Meu coração bate azul. Ele parecia tão suave que
eu coro até a raiz o cabelo. Encabulada, pergunto:
-O que foi?
-Obrigado.
-Pelo que?
Indago continuamente encabulada.
Eu tinha impressão de que era um daqueles momentos. Cyrus seria espetacular,
maravilhosamente gentil, e diria alguma coisa que faria com que eu me apaixonasse
novamente por ele, que meu coração sorriria. E meu coração sorriu. Como a luz
de um jardim encantado. Com magia e encanto. Como uma arvore firmando suas raízes
eu me apaixonei de novo por Cyrus quando ele responde:
-Por estar viva.

Comentários
Postar um comentário