Capítulo Vinte e Dois - Arya
Olho para
o homem que estava sentado na minha frente. Ele era muito diferente de mim.
Seus cabelos eram brancos, seus olhos cor de rosa e sua pele era translúcida.
Era tão alto quanto Alef, na verdade tinham o mesmo físico. A única coisa que
tínhamos em comum era o formato dos olhos: pequenos e puxados. Formato que o
Alef compartilhava e louro areia atrás do Alef também. Aparentemente também é
meu irmão.
Minha
boca estava cheia de sorvete, então só olhei embasbacada enquanto me diziam que
minha vida era uma mentira.
-Ela é
muito quieta.
Comenta o
louro dourado, Zachary Chronos, em voz baixa para um Alef que por algum motivo
não o deixava chegar perto do ouvido dele. Os olhos dele são diferentes dos
olhos de Alef e Éden, sendo vermelho aveludado. Dava um contraste incrível com
a cor dos cabelos dele, sei lá, parecia um bolo Red Velvet.
Alef olha
para mim. Coloco outra colher na boca. Se estiverem achando que vou deixarem
falar depois que eu terminar esse sorvete estão enganados. Muito enganados.
Então o Dark olha para o bolo Red Velvet e responde:
-É o
sorvete.
-Deveríamos
tentar tirar?
Pergunta
o Zachary. Trinco meus dentes tão fortemente na colher, que se esse Zachary ter
ouvido e não desistir da ideia, ele não tem senso de auto preservação. Alef coloca
a mão sobre o ombro de Zachary e responde:
-Você
quer tentar? Eu dou apoio moral.
-Moral?!
-Acho que
cada colherada é um time.
Comenta
Éden, falando pela primeira vez desde que cumprimentou a Beverly e o Alef.
Depois disso ficou em silêncio. Tirando isso ele até que é bem esperto.
-A Bev
vai nós salvar caso ela pire?
-A Bev
mandou boa sorte.
Responde
Beverly, as minhas costas, lendo uns papéis. Nem se dignou a olhar para o
Zachary por respondê-lo.
- Se ela
pirar, o Alef vai à frente e problema resolvido. - Sussurra Éden de volta para
Zachary e depois se volta para mim, como se não tivesse dito nada há pouco
tempo e diz: - Sou o Éden.
Grunho em
resposta. Simpatia: não aprendi e não sei onde comprar.
-Sinto
muito não ter conseguido voltar a tempo.
-Nem me
lembro de você!
Outra vez
grunho, colocando outra colherada na boca.
-Eu sei.
Logo depois que você nasceu, a Beverly sumiu, então eu não pude voltar. Eu
preciso da permissão dela para andar sobre New Earl em carne e osso.
-Sou
obrigada a entender isso?
-Dizer
que sou super poderoso e controlo um elemento inteiro serve?
-Absolutamente
não.
-Eu
explico. Ele é a Beverly do nosso mundo.
Toma a
palavra Zachary, como se isso esclarecesse alguma coisa em minha mente.
-Que mundo?
-De onde
nós somos?
Responde,
dando uma grande ajuda o Red Velvet. Sim, por que até onde eu sei não
encontraram vida em outro planeta ainda.
-São
aliens? Tu é alien também, Alef?
-Mais ou
menos. - Responde Zachary, meio encabulado, sei lá, ao mesmo tempo em que Alef
discorda. -Eu não! Nasci aqui.
Sempre
imaginei Aliens verdes, cabeçudos e com olhos que tomavam cinquenta por cento
da cabeça, mas tanto Zachary quanto Éden parecia humano daqui e possivelmente
somos todos da mesma espécie, por que Éden teve não um, mas dois filhos aqui e
um destes é comprovadamente fértil.
-No meu
trabalho, viagens a outros planetas quando é necessário estabelecer equilíbrio
entre determinados elementos, como a morte e a vida, por exemplo, são normais.
A Beverly já viajou ao meu planeta por exemplo. E eu já vim mais de duas
vezes.
-Seu
trabalho é qual?
-Regente
Hades.
-Tipo o
deus da morte?
-Sim.
-Então
você controla a morte?
-É mais
complexo do que isso.
-E você
faz visitas ocasionais a Earl?
-Sim.
-Eu
deveria acreditar em você?
-Pergunta
para o Dexter ou o Cam, a Beverly também serve. Eles foram lá uma vez?
-Jura?
-Sim.
Aquele homem não tem presas a toa.
Comenta
Zachary, fazendo a mesma cara de sonso que o Alef faz quando apronta algo. Alef
se afasta mais um pouco dele. Éden suspira e comenta:
-Zachary
é o filho mais difícil.
-Você não
pode dizer isso na frente do seu filho, sabe, mas é verdade. Sou o pior entre
os quatro.
Concorda
o Red Velvet, com um sorriso de orgulho. Eu devo me preocupar com minha
sanidade, considerando os tipos com o qual compartilho sangue. Ainda assim,
tenho minhas dúvidas e procuro saná-las:
-Pior do
que o Dark?
-O Alef
só me bate como filho mais difícil quando tem as crises dele.
-Isso é
verdade.
Concorda
Alef, de bom grado. Bem, já vi algumas crises do Dark e são realmente bem ruins
apesar do meu senso de perigo todo ferrado. Já quis usar para meu benefício,
não lembro? Continuo meu interrogatório:
-Humm.
Tem mais filhos?
-Tenho
outra filha.
-É a segunda
pior, minha gêmea, Plutão.
-Parece
que ser o melhor filho é mais fácil do que ser o pior.
Observo
realmente temendo por minha sanidade ou pelos genes que deveria mantê-la. Éden
apenas dá de ombros e comenta:
-Todos
têm seus momentos.
-É
casado?
-Viúvo. Já
perdi três esposas.
-Quantos
anos tem?
-Um
milênio, três séculos e quarenta décadas no meu mundo.
-Achei
que sadics vivem apenas mil e duzentos anos.
-Não sou
um sadic. Teoricamente eu poderia ser considerado um, mas oficialmente eu sou
um regente. E oficialmente você é um meio regente como o Alef, o Zachary e o
seu marido, Alaryk.
Ignoro a
menção ao meu suposto marido e continuo.
-Casou
apenas três vezes?
-Sempre
acabo amando a mesma mulher. Em todas as vidas dela. Todas as quatro
reencarnações.
-Como
conheceu minha mãe?
-Isso é
um interrogatório?
-Considere
que sim. Por que eu deveria simplesmente aceita-lo como pai alguém que nunca vi
na vida?
-Em um
campo cheio de mortos, ainda no início da guerra entre humanos e sadics. Tinha
acabado a uma batalha e eu fui guiar os mortos ao mundo inferior. Morreram
pessoas em demasiado, era um trabalho muito pesado para os ceifadores cuidarem
sozinhos. Eva era uma soldada no lado da Beverly, ela tinha dado conta de
vários desses animais modificados sozinha e estava caçando quando me viu na
forma de Hades. É impressionante um sadic comum me ver sem que eu esteja em
forma humana. Então resolvi investigar. E meio que me apaixonei de novo. A Eva
sempre tem algo que me atrai. Mesmo quando prometo a mim mesmo que não vou
interferir na vida dela. - Éden faz uma pausa e suspira profundamente, ele
parecia um pouco perdido em pensamentos - Fiquei aqui por muito mais tempo do
que deveria, mas como a guerra ainda era a regra do mundo, consegui me manter
por muito tempo. Tínhamos casado e sua mãe queria ter filhos. Optamos por
inseminação artificial, já que ter filhos biológicos com meu sangue não se
provou perigoso. Então o Ethan nasceu. Alguns anos depois, Eva engravidou e a
guerra acabou, então fui expulso e volta a meu planeta. Eva não sobreviveu
muito tempo após dar a luz a você e eu não pude voltar para cuidar de ti. Então
sua tia e Hector assumiram sua guarda e de seu irmão Ethan e criaram vocês como
filhos. Por isso você não tem lembranças minhas. Não consegui voltar, eu não
tinha permissão por que a Beverly hibernou e tinha ficado tanto tempo seguido
por aqui que só conseguiria voltar se acontecesse uma grande tragédia ou
carnificina. Consegui voltar quando seus tios morreram, mas você já tinha
sumido e Chronos estava preso a leis de não interferir diretamente na vida dos
Mortais. Só consegui te achar quando esteve em perigo de morte muito grande e
isso foi em Fell. Consegui convencer Chronos a te tirar da cela e ele a
teletransportou no fim da ilha.
-Não
poderia ter me levado mais longe?
-Não.
Chronos só interferi diretamente quando há perigo de morte. Ele é meu avô,
sabe. Depois que perdeu minha mãe por conta da lei da não interferência, a
minha avó abriu uma exceção a livrar meus filhos da morte. O tempo deles não
acabam enquanto eu for o Hades. Faz parte do nosso trato. Já tenho que guiar a
Eva para a roda da reencarnação, não preciso enterrar meus filhos também. Por
isso que você se livrou de tantas.
-Achei
que era protagonismo.
Resmungo
colocando o sorvete de lado. Estou tão cansada que nem quero fazer barraco. Aí,
acho que estou vacinada a revelações bombásticas.
-Não se
coloque deliberadamente em perigo de vida ou vai ficar como Alef.
Diz Éden
com mais um suspiro. Alef com os olhos cor de rosa arregalados e muito
enfaticamente complementa:
-Ou pior,
como o Zachary.
-Eu não
consigo engolir essa dele ser pior do que o Alef. Suas crises são horríveis,
Alef.
-Acho
divertidíssimo.
Rir
Zachary. Retiro o que disse, qualquer um que ache as crises do Alef
divertidíssimas não deveria se quer andar em sociedade. Éden franzi o cenho e
resmunga:
-Você só
diz isso por que é a segunda opção mais eficiente quando ele tem suas crises.
-A
Beverly é a primeira e única.
Alef
retruca com os olhos brilhantes. Não sei porque, mas senti um calafrio. E não
foi só eu, por que Red Velvet logo tentou abafar o assunto:
-Não
precisa começar com a sua idolatria pela Beverly.
-Vou
abrir uma seita.
Declara
Alef cheio de energia. Parece que a loucura violenta dele se converteu em
outra, e não tenho certeza se isso é bom ou ruim. Éden olha para a Beverly com
os olhos esbugalhados e súplica:
-Repreende
enquanto dá tempo.
-Sem
seitas, Alef.
Responde
Beverly, tirando os olhos dos papéis. Alef, que não sei quando chegou perto
dela, segura a sua mão e tenta negociar:
-Uma
estátua ao menos.
-Não.
-Um dia
eu vou conseguir te convencer.
Resmunga
Alef com fervor, ainda cheio de energia, com os olhos brilhantes, obviamente
sem colocar o não da Bev no coração. Meus calafrios ficam ligeiramente piores.
Olho para o lado e está Zachary a um palmo de mim, sussurrando:
-Eu
convenci a Hope. Minha esposa, muito incrível, deveria conhecê-la um dia
desses.
-Aquela
lá precisa de uma estátua. Ser canonizada, virar Santa.
Resmunga
Éden aparentemente impedindo Zachary de se aproximar mais com a mão. Não vi
quando ele chegou perto de mim. O Red Velvet levanta, e coça o queixo com um
sorriso maroto no rosto, admirando a ideia:
-Canonizar
uma vampira, que divertido.
-Não dá
ideia sogro. Esse daí...
-Eu ouvi
vampiro? É uma presai?
Pergunto,
tentando mudar de assunto. Ou iam acabar falando de Alaryk. Não tenho energia
para isso. Zachary discorda:
-Não, é
uma vampira mesmo.
-Daqueles
que bebem sangue?
-Sim.
-No seu
mundo tem vampiros de verdade?
-Não sei,
pergunta para o Dexter.
Zachary
desconversa de novo. O irmão louro sorrir para mim, mostrando aqueles caninos
afiados e atitudes valendo mais do que mil palavras me levam a uma conclusão:
acho que eu não vou perguntar para o Dexter como foi essa visita ao mundo do
meu suposto pai. Acho que aquelas presas é argumento suficiente. Éden suspira e
balança a cabeça. Ele é um homem cheio de suspiros, mas olha para os filhos com
um claro orgulho. Acho que ele deve ser um bom pai com genes medonhos.
Éden
volta sua atenção para mim e toca no assunto do qual eu fugia descaradamente:
-Ah! Ouvi
dizer que você está enrolada com aquele filho de Hazazel, o Alaryk.
Grunho em
resposta. Descontente com a ideia de pensar em Alaryk.
-Meio que
meus problemas com Alaryk são morais.
Pergunta
Zachary intrometido:
-O que
ele fez?
Parece
que minha vida amorosa é muito interessante.
-Disseram
que ele matou muita gente.
Respondi
não querendo me aprofundar no assunto. Eu também fiz isso, mas ignorei que
estava sendo hipócrita. Estou muito brava. E se considerar o que Hazazel disse
como verdade, o que eu tenho que analisar com calma, faço parte do grupo alvo
do Alaryk. Não quero pensar nisso. Se for verdade significa que o homem que amo
é no mínimo um psicopata.
Zachary
burfa quando tenta segurar uma gargalhada. Éden dá uma cotovelada nele, apesar
de ter segurado um sorrisinho. Levanto a sobrancelha. O vampiro olha para mim e
diz o óbvio:
-Eu
também fiz isso. O Alef também.
-Ei ei
ei! Pode parar por aí, que no meu caso foi em legítima defesa.
Retruca
Alef indignado. Aparentemente para ele é ofensivo ser considerado no mesmo
perfil que Zachary, que finge indignação, colocando a mão no peito e dizendo:
-O meu
também.
-Do seu
estômago?
-Ninguém
culpa o leão por atacar o cervo, não é? Sou apenas um predador. E faz tempo que
não faço isso, minhas presas chega coçam. Você poderia pirar novamente, Alef...
Só uma sugestão.
-Bev você
é uma benção na minha vida de maneiras inimagináveis.
-Eu sei.
Também te amo.
-Fui eu
que os juntei. Eram tão dramáticos.
Sussurra
Éden, revirando os olhos como se lembrasse do caso como se tivesse acontecido
ontem. Agora sem fingir tristeza, Zachary reclama:
-O
momento mais triste da minha vida. Faz tempo que não dou umas mordidas
carinhosas no Alef...
-Ninguém
quer mordidas carinhosas de um vampiro.
Esbraveja
Alef fugindo de Zachary, que tentava abraçá-lo e possivelmente morde-lo. Tomo
nota de não permitir que o Red Velvet chegue perto de mim. Beverly suspira
enquanto olha a baderna dos meninos. Parece ser muito comum. Ela bate palmas
chamando a atenção deles e nos dispensa:
-Acho que
chega por hoje. Arya deve está muito cansada. Amanhã conversamos sobre
Alaryk.
-Não sei
se quero conversar sobre o Alaryk. Hoje ou amanhã. Ou depois.
Reclamo
cruzando os braços. Beverly levanta a sobrancelha e firmemente diz:
-Não tem
escolha sobre isso. Pode odiar Alaryk o quanto quiser depois de que tudo esteja
esclarecido, mas não antes. Não enquanto não souber o que aconteceu e quais são
suas circunstâncias. Seria injusto com você e com o Alaryk. Principalmente com
o Alaryk que sempre tem que carregar pecados que não cometeu, que ficou
conhecido por um nome que não era dele e por mortes que não é culpa dele. Então
amanhã conversamos. Hoje você dorme e descansa um pouco.
E
enquanto eu penso nisso ela se vira e vai embora, com Alef a seguindo, sem que
eu tenha a possibilidade de recrutar.

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