Capitulo Dezessete - Caryn
Dou
um beijo na testa de Cam. Ele resmunga, mas não acorda. É um dorminhoco nato.
Levanto da cama e com passos leves vou até a porta. Abro e espio. Não tem
ninguém no corredor. Saio ainda cautelosa e percorro o caminho até meu quarto,
grata que ninguém me viu. Ser pega depois de uma excursão noturna seria
constrangedor.
Ultimamente
me sinto uma espiã andando de um lado para o outro de madrugada. Toda noite
saio de fininho para visitar o Cam e depois volto de fininho para meu quarto.
Acho que a Beverly desconfia, mas estou fingindo que não sei que ela sabe.
Abro
a porta do meu quarto de fininho e meu coração dispara ao ver os olhos da
Beverly abertos, olhando para a porta.
-Fui
ao banheiro.
-Sei.
Responde
minha irmã, não acreditando no meu migué, mas ela só diz isso e fecha os
olhos novamente. Vou para minha cama, deito e tiro um cochilo. Acordo com o
barulho do quarto. Angel é barulhenta como sempre. Beverly anda calada, então
Angel faz baderna com Eva.
-A
mãe vai voltar a procurar o Ítalo hoje.
Comenta
Angel, estralando os dedos. Dou um bocejo enquanto, um pouco preocupada,
pergunto:
-Sério?
-Sim,
Cam e Dexter vão com ela.
Confirma
Eva, na cama de cima do beliche, balançando as pernas. Minha mãe ainda não
desistiu de achar meu pai. Não a culpo. Ele arranjou uma grande confusão e não
temo idéia de como resolver. Meu coração pula de preocupação e eu pergunto:
-Isso
não é perigoso?
-Não
pelo que eu vi.
Responde
Eva enigmática. Ela não aceitou a morte de Aaron. Nenhum deles aceitou. A
Bonnie é a pior. O luto é um processo demorado. Eu e minhas irmãs não
conhecíamos bem Aaron, então a aceitação veio mais cedo, mas logicamente não
era o mesmo para os Garden e para Raven. O incomodo de não saber o que fazer
ainda persiste em mim. O que dizer? Como agir? Eu deveria ser alegre? Direta?
Ajo normalmente, mas no fundo tenho medo de parecer indiferente. Angel com um sorrisinho provoca perguntando:
-Preocupada
com seu namorado, Caryn?
-Com
todos! A ultima vez que saíram...
Deixo
a frase morrer. O silencio impera por um tempo, pesado e melancólico. Faz mais de
um mês que Aaron morreu. Como não vou ficar preocupada com minha mãe, meu
namorado e o irmão dele indo procurar um desconhecido em um mundo hostil? Por
outro lado, se fosse o pai das minhas filhas, e eu soubesse do motivo, o que
possivelmente minha mãe sabe e acha bom o suficiente, eu possivelmente iria
atrás.
-Ei,
meninas.
Chama
a Beverly, as pernas esticadas e com os tornozelos cruzados, em uma pose até
descontraída. A luz do sol faz seu cabelo brilhar como fogo. Sua voz quebrou o
silencio como um estalo. Talvez por que ela não anda a falar muito, mas algo em
sua voz mudou o clima.
-Olha,
ela falou.
Comenta
Angel, as suas sobrancelhas claras levantadas, o tom um pouco brincalhão.
Beverly nem pisca e ainda com o tom de quem fala sobre o tempo, continua:
-Eu
acho que encontrei Hazazel.
-O
quê?
Pergunta
Angel com os olhos arregalados, levantando em um pulo. Cruzo os braços e
questiono:
-Onde?
-No
mercado, antes da explosão. Um moreno, com olhos de serpente dando o bote. Ele
segurou meu braço quando fui pedi para Aaron e Alef voltar.
Responde
Beverly franzindo as sobrancelhas levemente. Um brilho de raiva apareceu em
seus olhos. Eva desce da cama e cruzando os braços, pergunta:
-Como
você sabe que é ele?
-Instinto?!
Responde
Beverly com um tom meio incerto. Não entendo sua confusão, normalmente seus
instintos são afiados. Acho que com todas as desgraças que aconteceram
ultimamente, a Bev não confia mais em seus instintos. Eu confio. Atualmente a
vida parece querer nos dar uma bolada na cara, mas confio que tudo vai se
ajeitar.
-Como
eles sabem que iríamos para o mercado?
Questiona
Angel, coçando uma das sobrancelhas. De fato, é uma questão importante. Se não
descobrimos como nos rastreiam ficaremos a mercê dos perseguidores. E com a
morte de Aaron fica claro que corremos perigo de vida inclusive. Uma das
sobrancelhas de Eva levanta quando ela bufa:
-Quem
sabe.
Acho
que ela sabe. Angel por outro lado, ignora a reação de Eva e continua a
questionar:
-Se
não descobrimos, não é provável que eles nos descubram aqui?
-Não,
já que essa é uma área protegida pela tia do Alef. Isso faz com que interfira
em sinais de mal intencionados.
Responde
Eva sentando novamente e cruzando as pernas. Sempre comentam sobre os parentes
de Alef. Angel olhando para o teto comenta:
-Os
parentes de Alef parecem bem poderosos, né?
-Eles
são.
Confirma
Eva, com os braços cruzados. O mundo Sadic é uma loucura sem fim de poderes e
gente poderosa. Se em sociedades normais, sem poderes, é um caos, não consigo
imaginar como é viver em uma com pessoas com poderes sobre-humanos. Meu namorado vira um lobo, o irmão mais velho
dele tem presas e o mais novo tem poderes elementares, acho que esse vai acabar
sendo nosso novo normal. Como será que nosso pai é? Ele tem algum poder legal?
A mamãe poderia falar mais dele agora que sabemos a verdade.
Beverly
quebra minha linha de raciocínio quando anuncia:
-Eu
vou salvar o Alef.
As
palavras da Beverly ecoam pelo quarto. Salvar o Alef? Salvar o Alef? Eu ouvi
isso mesmo? Completamente perplexa pergunto:
-Oi?
Será
que minha irmã está tanto tempo sem sair de casa que enlouqueceu? Só pode. Ou
eu fiquei maluca e estou ouvindo coisa. Não tanto tempo depois, Angel me prova
que não ouvi errado por que ela levanta com tudo da cama e grita:
-Enlouqueceu?
-Angel,
não fala assim. Ficou maluca, Beverly?
Questiona
Eva, logo após puxar a orelha de Angel, mudando o tom de calmaria completa para
um que só ouvi sendo usado para alguém surtando. Beverly boceja e ignorando
completamente nossa sensata reação, responde:
-Não,
vou hoje, depois de nossa mãe sair.
-Você
nem sabe onde o Alef está.
Retruco,
levantando a cama e cruzando os braços. Não sei o que deu nessa menina, imagina
salvar alguém de não sei onde, possivelmente das mãos de gente muito perigosa.
Como se o choque do primeiro anuncio não fosse o suficiente, Beverly nos
surpreende mais uma vez:
-Vou
perguntar para o conselho!
-Enlouqueceu
real oficial, né?
Questiono
não cabendo dentro de mim de tanta surpresa. Beverly sempre foi sensata, não
sei o que deu nela para do nada inventar uma historia dessas.
Eva
menos surpresa, levanta a sobrancelha e retruca:
-Para
o Conselho? Você nem sabe onde fica! E como vai tirar informações deles?
-Oi,
cê levou a sério?
Questiona
Angel ainda mais chocada. Não sei o que deu na Eva, o que ela passou na vida,
com quem ela anda, para digerir essa idéia estúpida tão rapidamente. Beverly
cruza as pernas, projeta o corpo para frente e com um sorriso que eu nunca vi
ela fazendo, responde:
-Você
sabe onde fica e tenho meus métodos.
Que
métodos? Ok! A Beverly escondeu de mim e de Angel por anos que tinha poderes,
talvez não tenha escondido muito bem como comentou o Alef, mas ainda assim
escondeu, portanto é provável que ela realmente tenha alguma carta na manga que
eu não conheço. A idéia de perguntar ao Conselho ainda é muito estúpida. Não
sei o que se passa na cabeça dessa moça. Parece que está perdendo QI apenas
respirando. Eva, voltando a ser sensata, recusa com muito afinco:
-Se
acha que vou te levar está enganada! Inclusive, só é possível chegar a Earl
voando.
-O
Grandion nos leva, não se preocupe.
Continua
minha irmã, ignorando tudo o que Eva disse e provando que precisa de um
psicólogo, ou de um psiquiatra, talvez dos dois. Angel perde a paciência e
berra:
-O
Grandion é um cachorro sua maluca!
-Eu
não vou!
Recusa
Eva, voltando à pilha da Beverly. Minha irmã semicerra os olhos azuis, que
pareciam muito brilhantes e com uma voz assustadoramente suave, questiona:
-Não?
-Não.
Afirma
Eva cruzando os braços. Desde que ela não ceda, não há como a Bev fazer alguma
loucura. Grandion é um cachorro, então não há nada que ela possa fazer quanto a
isso.
-Tem
certeza?
Questiona
Beverly, levantando uma das sobrancelhas. Seus olhos estavam brilhando
perigosamente e eu acho que não estou vendo coisa. Estavam literalmente
emitindo luz, ficando em um azul cada vez mais claro, como se fosse sair raios
de seus olhos. Eva engole seco. Com um tom mais ameno, Angel interveio:
-Bev
deixa de maluquice.
-Você
tem certeza Eva Raven?
Repete
Beverly em um tom de voz ainda muito suave, mas que fez um formigamento
percorrer meu corpo. Era uma sensação de opressão, como se o ar estivesse mais
pesado e difícil de respirar. Essa sensação me fez ter certeza de que se minha
irmã quer salvar o Alef e separa isso tivesse que tirar informações do perigoso
Conselho Sadic, ela conseguiria. Não sei como, mas ela vai fazer isso. Minha
garganta fechou e eu não estava sobre a mira a Beverly. A garganta de Eva
também deve ter fechado, por que com uma voz fraca, ela cede:
-Não...
-Quando
a mamãe e os meninos saírem, nós vamos para Earl.
Conclui
Beverly, seu tom voltando ao normal, como se ela não tivesse intimidado ninguém
segundos atrás. Angel, se recuperando rapidamente, usa a arma secreta e ameaça:
-Não
vai não! Vou contar para a mamãe.
-Se
contar para a mãe você vai ter que acalmá-la sozinha, por que eu vou sozinha.
Retruca
a Beverly irredutível. Meu Deus! É tão raro ver a Beverly tão focada em alguma
coisa que eu esqueci o quão difícil é lidar com ela quando coloca algo na
cabeça. A Angel é parecida, mas acho que a cabeça dura da Angel somos
acostumadas a lidar e com a da Beverly não. Ok! Talvez seja por que as coisas que
a Bev coloca na cabeça não envolve resgates e tirar informações de um monte de
velhos querendo te sequestrar e até matando pessoas para alcançar esse objetivo.
-Então
vai ter que nos levar!
Afirma
Angel, usando da parte dura da cabeça e desistindo de tirar da cabeça da Bev a
idéia de salvar o Alef. Não que precisamos nos preocupar tanto, no final, não
tem como chegar lá. A Beverly recusa imediatamente:
-Não.
-Eu
vou contar para a mãe e se isso não funcionar, eu te amarro até desistir dessa
idéia.
Ameaça
Angel, irredutível. Se a possibilidade de amarrar a Bev está em jogo, ela
deveria está em primeiro lugar se tentar colocar juízo não funcionasse. Nem sei
por que a Angel quer nos levar junto. Com uma careta a Beverly cede:
-Só
até Earl.
Ótimo,
agora viramos cúmplices. Beverly nem parece a mesma pessoa que estava duvidando
de si mesma há alguns minutos com toda essa confiança. Acho que ela não está
nada bem, mas como colocou isso na cabeça, só me resta ir junto para tentar
diminuir os estragos.
As
maluquices de Beverly continuam a pairar pela minha cabeça durante a manhã. Os
dedos de Cam estalam em frente aos meus olhos. Será que ele me disse alguma
coisa e eu estava tão distraída que não percebi?! Olho para o Cam. Suas
sobrancelhas estavam franzidas.
-O
que foi?
Pergunta
Cam, colocando as mãos no bolso. Coço o pescoço e pergunto:
-Como
assim?
-Sua
cara, ela não está boa.
Responde
Cam com a cabeça curvando um pouco para o lado. Franzo as sobrancelhas. Por que
estou preocupada com o plano da Bev? Não é como se Grandion soubesse voar ou
algo assim. Cam coloca a mão em minha cabeça e me dá um beijo na testa, como um
consolo. Sob meu olhar confuso ele explica:
-Você
parece preocupada.
-É
que... Não é nada. Já comeu? Eu não comi nada ainda.
Desconverso
fazendo uma careta ao pensar sobre a Beverly e seu plano. Cam sorrir, suas
covinhas aparecendo, o que faz com que eu esqueça meu estresse por alguns
segundos. É um sorriso lindo e que enche meu peito de calor. Ainda sorrindo,
ele oferece:
-Tomei
meu café da manhã, mas posso te acompanhar.
-Você
é um comilão.
Brinco,
segurando sua mão. A mão de Cam é muito maior do que a minha, só as pontas dos
meus dedos ficam de fora. Fazendo uma careta e piscando para mim Cameron
concorda:
-É
verdade.
Era
verdade mesmo. Nunca vi ninguém comer tanto quanto Cam. Ou dormir tanto. Ele
tem algum tipo de super poder que o faz dormir em qualquer ocasião ou posição.
Deve ser por causa do poder de transformação. Enquanto caminhamos ate o
refeitório, as mãos de Cam ainda esquentando as minhas, pergunto incomodada com
o silencio:
-Está
nervoso?
-Com
o que?
-Vocês
vão procurar meu pai, né?
-Sim,
é um pouco estranho.
Responde
com um olhar pensativo. Eu entendi o que era estranho: a falta de Aaron. Não
tenho mais palavras de consolo e realmente não quero demonstrar minha
preocupação com Cam, Dexter e minha mãe saindo à procura de Ítalo, com gente
disposta a matá-los. Isso verdadeiramente me preocupa. Meu coração se aperta em
agonia com a possibilidade de alguém não voltar ou voltar morto. Alef ainda
está sumido. Com sinceridade, desejo:
-Boa
sorte.
-Obrigado,
vamos precisar.
Cam
concorda, semicerrando os olhos para o horizonte, como se previsse uma
tempestade.
Depois
de comer, vou ajudar minha mãe a arrumar as coisas para a viagem que eles vão
fazer para procurar o Ítalo. Enquanto ajudo-a a dobrar as roupas, Antonieta,
com os olhos semicerrados, me encarando, comenta:
-Vocês
estão estranhas...
-A
senhora está preocupada a toa.
Retruco,
tentando me convencer de que a preocupação dela de fato é a toa. A insistência
da Bev ainda me incomoda. Minha mãe não pareceu muito convencida e questiona desconfiada:
-Estou?
-Deve
ser o estresse.
Resmungo,
colocando a blusa que eu dobrava na mala. Minha mãe olha para a calça que
dobrou e um pouco incerta concorda:
-É...
Deve ser isso.
Depois
do almoço, minha mãe e os Gardens vão para a procura. Eu e minhas irmãs vamos
nos despedir. Bonnie continuou no quarto. Nenhum dos Gardens ou minha mãe
desconfiou. Ainda com a mão levantada enquanto via o carro se distanciando,
Angel suspira:
-Não
acredito que vamos fazer isso!
-Você
sempre pode desistir.
Retruca
Beverly com um sorriso tão doce que chega embrulhou o estomago. Os olhos de Eva
arregalam quando ela se vira para Beverly e esperançosa pergunta:
-Eu
posso?
-Você
não!
Responde
Beverly, o sorriso morrendo imediatamente. Eva faz careta. Ela parece acreditar
piamente que o Grandion vai arranjar asas de não sei de onde e carregar quatro
mulheres nas costas até onde Judas perdeu as botas. Angel impaciente avisa:
-Ei!
Eles já foram embora.
-Então
vamos.
Diz
Beverly marchando em direção ao quintal e arrastando Eva junto. Eu e Angel as
seguimos. Parece que a descrença de Angel caiu por completo. Considerando tudo
o que aconteceu nas ultimas semanas, talvez o nosso senso comum esteja
desequilibrado. Grandion ainda é um
cachorro. Ao chegar ao quintal, reitero minha incredulidade:
-Não
faço idéia de como...
Eu
perco a fala ao perceber que a nuvem que fazia sombra sobre o quintal não era
uma nuvem ou o casarão. Um animal imenso voava em nossa direção mudando da cor
azul para branco. Era o tipo de criatura que só vemos em filmes e ilustrações.
Asas que pareciam as de morcegos com garras nas extremidades, um corpo
musculoso, cheio de escamas brancas entrelaçadas, garras imensas e quatro
fileiras de dentes. Os olhos azuis claros tinham pupilas fendidas. Por algum
motivo me lembrei do meu lindo vira-lata Grandion. Nessa coisa monstruosa,
inacreditável e magnífica.
-Meu
Deus!
Exclamo
com as pernas tremulas. Os olhos da Angel estavam arregalados. Eva não parecia
nem um pouco surpresa. A Beverly vai em direção da criatura e faz carinho no
focinho como se realmente fosse o pet dela. Com as mãos na boca, Angel exclama:
-Impossível.
-Eu
não vou subir ai...
Comento
com os olhos arregalados ao ver a Beverly escalando até o topo das costas de Grandion.
Eva, que desistiu completamente de tentar resistir a Beverly, começou a escalar
assim que Beverly sentou. Com um sorriso de satisfação Bev responde:
-Então
não suba.
Como
a Angel começou a subir e se eu ficasse acabaria tendo que explicar aonde foi
minhas irmãs, decido por subir. As escamas de Grandion eram mornas e ásperas, o
que eu não esperaria de um dragão. Tentei escalar sem machucá-lo, mas logo
percebi que Grandion se quer sentia que eu estava subindo. Ao sentar atrás da
Angel, percebo que realmente estavam a metros do chão, pergunto preocupada para
a Beverly:
-Não
vamos cair, né?
-Não.
Responde
curta e grossa. Eva agarra a cintura da Beverly e eu faço o mesmo com a Angel,
que se vira e me olha desgostosa. Nem todo mundo fica animado com a possibilidade
de montar um dragão. Quer dizer nem todo mudo tem a possibilidade e muito menos
sabe que dragões existem. Meu senso comum realmente foi implodido. A verdade é
que quando Grandion se moveu suavemente fui tomada pela sensação de que o vôo
seria suave também. Até que ele pegou impulso para voar e meu estomago parecia
que ia sair pela boca. Era com um daqueles brinquedos de trilho super radicais.
Ouço a Angel e Eva gritarem respectivamente:
-AHHH
puta que pariuuuuuuu...
-BEVERLY
EU TE ODEIOOOO...
Nem
grita consegui. Só apertei meus braços ao redor da Angel e espremi meus olhos
bem fechado. O ar ficou rarefeito e estava tudo silencioso. Sorte que eu estava
usando um bom casaco se não passaria muito frio. Depois de um tempo a
estabilidade chegou. Abro os olhos lentamente. As cidades passavam muito
rapidamente. Estávamos muito alto. Era um pouco agradável, mas eu não conseguia
esquecer que estávamos tão longe da terra firme que as cidades eram minúsculas.
Fomos em direção ao mar e ao horizonte. Depois de um tempo vimos um arquipélago
ao longe.
Então
os Sadics se concentram em um conjunto de ilhas. Se a maior parte da raça cabe
em um arquipélago deve ser verdade o que Cam disse sobre os Alto Humanos serem
péssimos reprodutores. A arquitetura da cidade na ilha principal, que era a
direção aonde íamos, começou a se revelar enquanto nos aproximávamos. Era muito
bonita. No centro tinha um enorme castelo com uma cúpula de vidro no edifício
principal. Era arborizada, com muitos parques. Beverly escolheu um deles que
estava vazio para pousar. Agora que penso, como é que Grandion anda para lá e
pra cá com esse tamanho e não tem nenhum comentário sobre um dragão voando por
ai? As pessoas fingiram de cegas, considerando tudo o que eu vi se eu fosse uma
Sadic criada em Earl eu também fingiria que não estou vendo, ou as barreiras da
Beverly são tão boas que nos deixa invisíveis.
A
região onde pousamos eram rodeadas de belos palacetes, com fontes e lindos
jardins. Estava um pouco vazio, possivelmente por causa do horário. Eva com um
tom de boas vindas esclarece:
-Essa é Earl.

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