Capítulo Sete - Tenho planos na manga!
OBS - Estou sem inspiração e empacada no capítulo oito, por isso a demora. É muito frustrante, afinal, praticamente tenho três capítulos prontos depois do oito.
O edifício de entrada da muralha era enorme, sem janelas nos seus três primeiros andares, todo feito em alvenaria e com sete lances de portões e seis fossos. As janelas que tinham nos andares mais altos tinham grades internas, com fechadura, porque caso os zumbis conseguissem passar dos sete portões, e das duas portas e suas próprias grades, os guardas teriam uma rota de fuga pelas janelas dos andares superiores. Nunca aconteceu, mas Éden Blackblood cresceu sobre as saias de uma mãe que eliminou um dragão aos treze anos, ele tendia a acreditar em impossíveis, por mais improvável que fosse. E sobre toda a muralha física a extraordinária Barreira de Qixing mantinha-se como uma muralha de emergência. Atualmente Qixing focava na muralha externa de One Hall, principalmente no fronte, onde mais uma camada estava sendo construída.
Os Garden foram levados para uma das alas de quarentena. O prédio era assustador, escuro e frio. Cheio de grades. As alas de quarentenas tinham dois andares, com escadas retráteis para caso de imprevistos. No andar de baixo, existia uma pequena cantina e uma sala de estar. Todos os cômodos tinham portas. Viajantes mais experientes tinham o hábito de levar mantimentos e objetos de hobbies para manter a semana.
Desfazendo algumas malas, os Garden começam a se acomodar naquele frio lugar de estadia.
Ginger aproveitou a quarentena para descansar. Viagens a exauria, e a expectativa de conhecer Levi pesava em sua mente. Era uma luta constante entre sonhar e puxar as expectativas de volta para a segurança. Ginger sabia que se ela permitisse muitas expectativas, não conseguiria lidar com a decepção imediata. Não perguntou muito sobre Levi para Beverly, até porque, na época que Bev conheceu os Blackblood, a atenção dela era pura e exclusiva para Abraham. Soul, por outro lado, sabia de algumas coisas sobre ele, principalmente de âmbito profissional. Era um homem sério, apegado às regras e distante. Como soldado e como autoridade, era exemplar. Apesar da rigidez, era justo. E não era muito popular com as mulheres, o que fazia Soul e Ginger olhar estranho. Quer dizer, se fosse um homem comum não seria estranho, mas era um príncipe. Para muitas pessoas era um ticket ambulante para uma drástica mudança de vida. Claro, sendo justa, Soul com toda certeza não gostaria dele se fosse um pegador veterano. Os Garden sequer consideraram esse casamento se fosse o caso. Ginger não pensou nessa possibilidade. A única coisa que ela realmente queria em um esposo era que ele fosse paciente. A promessa de quietude não assustava. A própria Soul admitia que seus assuntos de conversa eram limitados aos seus interesses. Se ele fosse conversador, ela teria que sorrir e acenar, soltando algumas monossílabas em resposta e usando todas as suas energias para manter a atenção. Ela também gostava do silêncio, existia um conforto estranho nele.
As únicas expectativas que Ginger tinha sobre Levi eram sobre sua aparência. Ela sinceramente esperava que ele fosse um belo Blackblood típico. Seria frustrante se ela se casasse com o único Blackblood feio existente. Sentia-se superficial por isso, mas argumentava consigo que pelo menos ela deveria considerar seu marido atraente, mesmo que ele não tivesse a aparência saída de contos de fadas ou de livros de romance.
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Na capital, Levi lidava com o fato de que sua noiva já estava em One Hall. Era um misto estranho de emoções. Um pouco de nervosismo, um pouco de expectativa, um teco de frustração. Não sabia o que esperar. Era o tipo que gostava de ordem, esperava uma mulher proativa, organizada, focada. Forte. Emocionalmente forte. De certo modo, parecida com ele, que era conhecido por ser estável. Pelo menos quando dormia a noite inteira.
Contudo, para o desespero de Levi, quando perguntou ao seu pai sobre a noiva, a resposta foi uma risadinha. Uma risadinha.
Irritado, Levi o questionou:
-Tem algo de errado com ela?
-Não.
-Então por que riu?
-Ela certamente não é nada do que espera.
Respondeu Peony, se intrometendo na conversa e considerando o comportamento dos Garden. Beverly veio sozinha, porque os Garden a consideravam capaz, mas por Ginger toda a família se deslocou. Isso já era um alerta sobre a garota. Algo nela ou na capital a fazia incapaz de vim só.
-Beverly é reconhecida por seu poder, porventura, a irmã gêmea dela é fraca?
Questionou Levi, quase saindo da cadeira. Ele não queria uma mulher fraca. A ideia o apavorava. Já tinha perdido um irmão, não queria perder mais ninguém.
-Existem muitos tipos de força.
Retrucou Éden, bebericando seu chá. Seu filho só pensava em poder e em matar zumbis. Nem sua mãe, aquela poderosa heroína, escolheu seu esposo considerando quão poderoso ele era. Até porque, se ela pensasse como seu neto, estaria solteira por todo o seu tempo de vida. Não que O Blackblood fosse fraco ou normal. Com olhos olhos arregalados, Levi murmurou aterrorizado:
-Pai…
-Acho que ela não faz seu tipo, por isso vocês vão se conhecer antes de noivar.
Continuou Éden, ainda cheio de risadinhas. Levi achava que gostava de mulheres poderosas, o que Éden não desgostava, mas tinha impressão que seu filho precisava de suavidade ao invés de poder. De leveza, de cor. Era um jovem muito soturno, um pouco de sol o faria bem. Considerando a descrição de Isaac sobre Ginger, ela era do tipo atrapalhada socialmente, mas fofa.
-O que vai fazer se eles não se deram bem?
Questionou Peony, olhando para o pai por cima do livro que lia. Peony e Levi sabiam que quem a avó queria que se casasse era Éden. Levi era o plano B, talvez até o C.
-Tenho planos na manga.
Respondeu Éden, com um sorrisinho que combinaria com qualquer criança aprontona mais do que com um chefe de estado. Levi e Peony engoliram em seco, arrepiados.
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Enquanto isso, em uma terra muito distante, outro Blackblood entra em cena.
Abraham voltou cansado de mais um dia de trabalho. A nova muralha externa já tinha um tamanho razoavelmente decente e as pessoas migraram aos poucos para as novas terras. A torcida era principalmente por fazendeiros. One Hall precisava de terras férteis, terras que produzem comida.
Abraham riu olhando a recém construída muralha. One Hall já não era mais uma muralha há quatro muralhas atrás. Seu pai não era muito bom com nomes.
Seu colega de patrulha faz um careta ao vê-lo rir para o nada.
Ao chegar no alojamento, Abraham vê uma carta de cor vermelha escura e o símbolo de foice preto e branco no selo. E seu coração gela. Não era apenas sua família que se comunicava por aquele padrão de carta. Beverly Garden, sua noiva, também. Era mais comum receber cartas dela do que de sua família. A aliança nos dedos de Abraham parecia particularmente pesada naquele momento.
Abraham não via Beverly há anos. Quando se lembrava da última vez que a viu, seu peito era tomado por uma sensação horrível de constrangimento. Foi tão injusto com ela que não conseguia pedir perdão apenas por carta. Abraham sabia que teria que fazê-lo pessoalmente. O problema era que nos últimos anos foi impossível pedir folga. A muralha estava sendo construída e os exterminadores eram poucos. Abraham teve suas habilidades usadas até a última gota de suor. Mal tinha tempo de dormir e comer, quanto mais responder sua noiva. Portanto, toda vez que recebia uma carta vermelha, seu sangue gelava. E se Bev finalmente terminasse o noivado? Abraham sabia que seria culpa dele, por que era.
Ignorando o tormento que se formava em seu peito, Abraham abre a carta. Duas folhas caem em sua mão. Uma de papel finamente feito e outra com um papel cheiroso, mas grosseiro. Ele leu primeiro a carta cheirosa. Bev estava indo a capital. A segunda carta, por outro lado, dizia que Levi se casaria com uma Garden.

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