Capítulo Oito - Verde-água, como o desaguar de uma onda.

 AR: Boas novas pessoal! Parece que minha inspiração voltou! Ebahhh!


Finalmente, a quarentena dos Garden foi finalizada. Eles tiveram sorte, nada aconteceu. Assim que começou o oitavo dia, eles foram liberados e Ginger teve o primeiro vislumbre da cidade. 

Ela olhou ao seu redor com um misto de confusão e encanto. Era enorme, colorida, movimentada. Vibrando em uma cacofonia que a irritava um pouco, mas tudo muito interessante. 

-Vocês querem passear, meninas? 

Perguntou Isaac, olhando para Ginger. Ela o encarou de volta confusa se queria passear ou não. Parecia estimulante e interessante, mas Ginger estava um pouco cansada. Sentia o parecia ser dois dedos invisíveis puxando sua testa, um sinal de que teria enxaqueca mais tarde. Soul, que sonhava com um rolê entre irmãs, fez um beicinho e respondeu: 

-Eu tenho que me apresentar ao comandante do meu novo esquadrão. 

-Eu também! 

Concordou Beverly, um pouco chateada. Ela também queria pirulitar pelas lojas de One Hall com Ginger e Soul. 

-Então a gente vai depois. 

Respondeu Ginger. Ela tinha esquecido que suas irmãs eram oficiais do exército. Soul tinha vindo tanto por causa de Ginger quanto porque foi transferida para um novo grupo Expedicionário. E Beverly era uma Exterminadora, se ela estava na cidade era preciso avisar a guarda, para caso de emergência. Exterminadores poderiam entrar em transe quando matam zumbis e poderiam acabar surpreendendo negativamente os Guardas e Executores da cidade. 

-Vamos na frente. Vocês sabem onde é a estalagem, né?

Questionou Isaac, enquanto Eleonora chamava um cocheiro. Concordando, Soul respondeu:

-Sim, a gente se encontra lá. 


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Beverly e Soul pegaram outro coche até o Forte Central, onde estavam os departamentos de guarda e polícia da cidade.  Chegando lá, elas se separam. Beverly vai para o departamento do Exterminadores e Soul para o departamento dos Sombras, que era dividido com os Executores. 

Entrando no prédio, Soul se apresenta na recepção e entra no elevador. Ela sentia-se um pouco nervosa, afinal, estava trocando de grupo. Seu último grupo foi desfeito, uma parte se aposentou, outra parte foi transferida. Soul, que tinha um espírito aventureiro, escolheu continuar nesse trabalho. Apesar dos perigos e da responsabilidade que recaia em suas costas, ela amava as partes boas. O mundo fora das muralhas era aterrorizante e traiçoeiro, mas era lindo também. Pelo menos quando não tinham zumbis em volta. 

Aproveitando o tempinho ali no elevador, Soul arruma o cabelo, o amarrando em um rabo de cavalo alto com uma fita vermelha e passando um pouco de vermelho nos lábios. 

A porta do elevador se abre e dois homens entram. Um dhampir de pele escura e um homem de cabelo preto. Eles não a cumprimentaram e Soul não se surpreendeu. Humanos e Damphir, assim como zumbis não a percebiam exceto ela se esforçasse muito. Vampiros e Imortais eram exceções à regra. Vampiros por causa da sensibilidade apurada combinada a consciência e em Imortais seus poderes de discrição não funcionavam. Ela sempre foi assim, por isso se tornou uma Shadow. Se ela não falasse com eles, não a perceberia. E Soul se divertia com a surpresa dos distraídos. Os homens continuam sua conversa, de costas para Soul. Ela não estava se importando com o papo deles, até perceber que a fisionomia do homem de cabelo preto era familiar. Não sabia se era o nariz ou as maçãs do rosto, até a nuca lhe era familiar. 

Seus batimentos cardíacos aumentaram ao lembrar daquele rosto familiar, que há muito ela procurava entre as filas de Executores. 

O Dhampir virou-se e surpreendeu-se ao vê-la. E o homem de cabelos escuros, estranhando a reação do amigo, acompanhou o seu olhar.

O coração de Soul bateu tão forte que por um momento lhe faltou ar. Era ele. Aqueles olhos, ela reconheceria em qualquer lugar. Eram verdes, verde-água, como o desaguar de uma onda. Finalmente ela encontrou Dexter Crown. 

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Ginger tentou tirar um cochilo assim que fizeram check-in na estalagem. A enxaqueca que ela pensou que teria, realmente chegou. Enjoada, ela praticamente se arrastou até a janela para fechar as cortinas. Seus olhos não conseguiam lidar com a luz e o quarto estava muito claro. Fechando as cortinas, Ginger se despiu de algumas peças de roupa, ficando apenas com as camadas anteriores a chemise e tirando a crinolina. Depois ela se enrolou no cobertor, cobrindo parte da cabeça com o travesseiro. 

A enxaqueca durou um longo tempo. 

Cansada, Ginger tentou dormir. Seus nervos pareciam que a enlouqueceria. O relógio em cima da cabeceira parecia ridiculamente alto e Ginger o desligou. Quando a enxaqueca passou e ela estava quase pegando no sono, ouviu uma batida na porta. No início, Ginger ignorou. Seus pais sabiam que ela demorava a dormir. Suas irmãs tinham seus próprios quartos. E os funcionários foram avisados a não a acordarem exceto em caso de vida ou morte. 

As batidas continuaram. Até que Ginger perdesse o sono, que foi substituído por uma irritação fervorosa. Ginger levantou da cama, irritadiça, com a boca cheia de reclamações. Com raiva, segurou a chave. E foi tomada por um temor paralisante. Por que alguém bateria tão insistentemente na porta e não falaria nada? Humanos chamavam o nome de quem procuravam depois que bater na porta não funcionasse. E desistiriam. 

Ginger deu uma segunda volta na chave e silenciosamente encostou sua cabeça na porta, pressionando seu ouvido contra ela. 

Engoliu em seco ao ouvir grunhidos. 

Humanos não grunhiam na porta alheia. Zumbis grunhiam em qualquer lugar. Ginger tentou não entrar em desespero ao perceber que tinha um morto batendo em sua porta. 

Respirando fundo, o mais lento e silenciosamente possível, ela saiu de perto da porta. 

Por algum motivo, o cheiro de Ginger atraia os mortos em massa. Foi descoberto muito cedo, quando zumbis e mais zumbis tropeçaram nos cercados dos Garden, enquanto eles ainda moravam na extinta Vila Riggi, perseguindo a caçula insistentemente. Os Garden precisaram murar toda sua casa e construir portões resistentes. Com os mortos a perseguindo, Ginger desenvolveu um medo paralisante deles. 

Olhando ao redor, ela procurou objetos que obstruísse a porta, e atrasasse a entrada dos mortos. Agora poderia ser apenas um, mas os mortos sempre se multiplicavam. O fato de ter apenas um, significava que não souberam ainda e não tomariam as devidas precauções, o que resultaria em mais mortos. 

Ginger viu uma poltrona e a arrastou até a porta. Ela colocou as suas malas em cima da poltrona. As duas mesinhas de cabeceira em cima das malas. Ginger abriu as cortinas e olhou pela janela, medindo a distância de seu andar para o térreo. Ela tinha que descer, para avisar a recepção. Procurou no guarda-roupa do quarto o kit de emergência. Todo hotel e hospedaria tinha um em cada quarto. O achou na última gaveta. Dentro do kit de emergência, entre outras coisas, tinha cordas, uma faca longa e um sino. Também tinha rações de emergência e um copo. O galão de água estava do lado do guarda roupa. 

Pegando a corda e o sino, Ginger amarrou a corda no parapeito da janela, abriu a grade interna e tocou o sino com toda sua força. Era um sinal de aviso para emergências como aquela que ela vivia agora. Ela tocou duas vezes e segurou o metal do sino para que ele não soasse mais.  

Os transeuntes embaixo da janela, pararam o que estavam fazendo e olharam para cima. Ginger tocou o sino mais duas vezes. E as pessoas começaram a evacuar a área do hotel. Os funcionários saíram ao ouvir o barulho dos sinos. 

-Senhorita, onde o morto está?

Gritou um dos funcionários, antes que Ginger começasse a descer pela janela. As batidas do zumbi ainda insistiam na porta. Ginger sentia que enlouqueceria ao ouvir o som. Contendo sua irritação, ela gritou a resposta:

-No corredor! 

-Qual é o número do seu quarto? 

Continuou o funcionário. Ginger já tinha passado uma das pernas pela beirada da janela quando ele a perguntou. Ela piscou, tentando lembrar do número de seu quarto. No momento do check-in sua cabeça já latejava, então ela disse a verdade para os funcionários. 

-Desculpa, eu não prestei atenção. 

Os funcionários na calçada olharam um para o outro e suspiraram. Cabeças de vento e seus problemas inesperados. Um dos funcionários gritou outra informação para a Ginger:

-Há a numeração na chave do quarto. 

Ginger olhou para eles lá embaixo e olhou para a “barricada” na porta. A chave estava lá. Atrás da barricada. Ela nem pensou em tirar a chave. Olhando novamente para os funcionários, ela informou: 

-A porta está barricada! 

-Você largou a chave lá?

Gritou novamente o funcionário, sua voz pingando indignação. Ginger corou de constrangimento ao responder:

-Sim!

-Por que você não tenta resgatá-la?

Ginger encarou o funcionário que a questionou e chegou a conclusão que não poderia respondê-lo que estava com preguiça, então se moveu para resgatar a chave. Foi um resgate particularmente cansativo. Ela teve que tirar as mesas de cabeceira de cima da poltrona, arrastá-la um pouco e ainda ofegante resgatou a chave. O número do seu quarto era 13. Ela não era supersticiosa, mas estava tentada a trocar de quarto naquele momento. Um zumbi a encontrou assim que ela entrou na cidade e isso parecia um tipo esquisito de “sorte”. Quer dizer, ela está dentro de um prédio. Qual a possibilidade de no seu primeiro dia em One Hall, alguém simplesmente morrer em seu corredor e se tornar um zumbi batedor em sua porta? Poucas, Ginger esperava. Seus nervos não aguentariam ter que lidar com zumbis todos os dias. Se fosse assim era melhor ela se alistar no exército!

Resmungando internamente, Ginger jogou a chave lá embaixo e se preparou para descer. Ela amarrou lenços em suas palmas, para não as esfolar nas cordas e se mandou. Assim que chegou no chão, não teve nem tempo de falar com os funcionários e os executores que tinham chegado, quando o morto que batia na sua porta se jogou da janela aberta do corredor ao lado do quarto de Ginger.

Azarada ela, só podia ser. 


RR: Sinto que estou um pouco enferrujada, isso que dar ficar quase quatro anos sem escrever. O que vocês estão achando do ritmo da novel? 


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