Capítulo Nove - Estado de Exceção!

 

Como qualquer bom cidadão de One Hall, os funcionários e executores que viram o zumbi se jogar da janela tinham o mesmo desejo que Ginger: Que ele batesse a cabeça ao cair.

Claro, Ginger, em um súbito momento de pensar rápido, nem esperou ver o resultado de seus desejos antes de dar no pé. Ela saiu correndo para longe do zumbi. Não viu seu rosto, não viu seu corpo, só correu para trás dos executores. Aquela “sorte” estranha parecia estar agindo novamente. Afinal, por que as grades internas da estalagem simplesmente estavam abertas? Elas eram planejadas para evitar que hordas que porventura surgissem em estabelecimentos como hotéis e estalagens se espalhassem e sempre ficavam fechadas, mas na vez de Ginger estavam abertas.

Como Ginger fugiu rapidamente da área, ela não viu o zumbi sendo finalizado. De qualquer modo, não tinha estômago para isso.

Voltou para a recepção e perguntou o quarto dos seus pais. O atendente não respondeu, mas chamou os pais dela. Ginger então esperou na recepção, sentada no sofá. Não demorou muito até que ela começasse a sentir um frio no peito. Algo que parecia um enjoo ou náusea. Seus olhos começaram a embaçar e sua cabeça parecia muito pesada. A adrenalina sumiu e só sobrou a ansiedade pelo momento aterrorizante anterior. O grunhido do zumbi parecia particularmente alto e quando ele viu Ginger, deu um grito indescritível. Os pelos de Ginger se arrepiaram ao lembrar dele, e ela deu batidinhas no peito, tentando apaziguar a agonia que subia por ali. Parecia que seu coração estava sendo espremido por seus pulmões, uma sensação horrível.

-Ginger? Por que você está verde?!

Alguém chamou, os olhos embaçados de Ginger acharam ter visto uma cabeça ruiva indo em direção a ela. Sua irmã estava usando um vestido praticamente da cor do chão. Ginger abriu a boca para responder, mas o que saiu foi um:

BRUUEEHHH!

Beverly olhou para sua irmã com um misto de preocupação, nojo e mórbido humor. Ginger colocando os bofes para fora era uma cena familiar, tristemente familiar. O estômago de sua irmã digeria de tudo, menos emoções negativas.

Ginger não teve tempo de ficar constrangida. Olhar para a bagunça que fez e sentir o odor daquilo a fez desencadear uma segunda rodada. Ela se xingou internamente, reclamando de ter olhado, enquanto chorava. Aquela sensação era horrível, parecia que estava entalada. Ginger tossiu, tentando lidar com aquela onda de emoções.

Os pobres funcionários da estalagem começaram a limpar o chão, enquanto Beverly tirava sua irmã dali. Os olhos de Ginger estavam cheios de lágrimas e Bev a ofereceu água. Ginger pegou o copo e antes de começar a beber, fez cara feia.

-Essa água fede.

Beverly olhou para ela com descrença, ela pegou a água e cheirou.

-Não fede não. Sua boca está fedendo.

-Essa água fede!

Insistiu Ginger, seu humor despencando de mau humorada para bravia. A água da cidade tinha um cheiro estranho. Ninguém parecia perceber, mas Ginger sentia, toda vez que ela tentava beber água pura aquele cheirinho de azedo aparecia. Ela não queria beber daquela água. Beverly suspirou pacientemente. Ela conhecia sua irmã gêmea e aquele nariz esquisito dela. Ginger sentia cheiros que outros não tinham sentido a vida toda. Assim como ouvia melhor do que os demais. Isso resultava nela sendo mais sensível a cheiros e sons, até a luz em alguns momentos. Quando era mais nova, Bev brincava que sua gêmea era uma vampira.

-Ginger, você acabou de vomitar!

-E vai acontecer de novo se eu beber dessa água. Vou vomitar no seu colo!

Ameaçou Ginger, tentando não lembrar de sua humilhação. Beverly levantou sem discutir mais e foi à cantina pedir um bule de água fervida e algumas folhas de chá. Sua irmã era mais tolerante com a água que foi fervida. Até em casa, Ginger fervia a água que bebia. Na verdade, ela fervia alguns caldeirões toda semana e guardava no túnel de água da cozinha. Sempre estava reclamando do cheiro da água.

Ginger ficou no sofá tentando respirar calmamente. Tentando esquecer o que aconteceu mais cedo e dando batidinhas no peito como se esquentasse o frio que surgiu dentro dele.

Ela mal tinha chegado na cidade e encontrou um morto. Obviamente, Ginger estava infeliz. Ela fechou os olhos, escorando a cabeça no sofá e torceu insistentemente o tecido de seu vestido para relaxar. Ainda parecia que tinha alguém puxando suas sobrancelhas, um sinal claro de tensão e uma dor pinicante começou a surgir em suas têmporas. Ginger demorou a relaxar. Era a imagem da exaustão e todo o mundo parecia barulhento demais naquele momento.

Os sons de grito a despertaram.

O mundo não parecia muito barulhento, ele estava muito barulhento.

O coração de Ginger parecia que ia sair pela boca quando ela percebeu o que estava acontecendo. Era a segunda vez naquele dia. E seria pior.

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O quartel general em One Hall recebeu um chamado para o extermínio.

A cidade de One Hall era dividida em sete distritos, onde em cada um tinha um posto avançado com guardas e algumas dezenas de Executores. Quando esses postos avançados eram afligidos por situações que não conseguiam lidar, o quartel general era notificado. Antes os Exterminadores ficavam cada um em um distrito, mas a carga de trabalho aumentou a ponto dessa logística ficar inviável. Diferente dos Executores, os Exterminadores não eram treinados. Melhor, eles não podiam ser treinados, convocados, em suma, feitos do zero com cadentes normais. Os Exterminadores e os Shadow nasciam, os Executores eram chamados. Entre os Shadow e os Exterminadores, os Exterminadores eram mais valorizados. Afinal, eles conseguiam resolver de maneira efetiva os problemas de One Hall. E eram raros.

De qualquer modo, Levi tirava um cochilo quando se assustou com o barulho da sirene. O segundo em algumas horas. Ignorando a mente confusa, a irritação pungente em sua mente e os batimentos cardíacos acelerados, ele levantou do sofá, quase calçou os sapatos errados, tropeçou no próprio casaco e atropelou o Executor que chegou para informá-lo! Levi desnorteado olhou para a mulher que estava à sua frente e murmurou algumas desculpas.

-O chamado é no distrito cinco.

Informou a Executora, que engoliu em seco ao ver Levi desanimando visivelmente. O distrito cinco era o distrito comercial da cidade e a maioria das pessoas ficavam desprotegidas. Um lugar propício para uma horda horrorosa surgir. No pequeno momento que Levi digeriu a informação, os sinos de outros distritos soaram. Toda a cidade entrou em estado de exceção.


AN: Gengibre é tão azarada, tadinha \(0u0)/!


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