Capítulo Onze – Implacavelmente decepcionado.
Ginger quase caiu dura quando sentiu o
vento que a lança causou perto do seu rosto.
A lança continuou até atingir a cabeça de
um zumbi que se lançava sobre Ginger.
Ginger fechou os olhos com força ao
sentir um respingo em seu rosto. Seu corpo tremia e ela sentiu que estava no
limite. Não ousou pensar no que pingou no seu rosto. Ela sabia. Aquele odor
ferroso e biológico, massudo e gelatinoso. Só de pensar em pensar seu estomago
revirava. Não ousou olhar para o zumbi finalizado ao seu lado.
Ouviu os passos do homem a sua frente
aproximando-se dela. Passos muito confiante, como se ele estivesse em seu
habitat natural ou algo assim.
-Ei!
Ele chamou, fazendo com que Ginger
abrisse os olhos e o encarasse.
O homem parecia pairar sobre ela. Era
muito alto, suas orelhas longas e pontudas, claramente um Imortal.
Ele estava muito próximo, as sobrancelhas
negras muito franzidas, claramente muito bravo e Ginger não tinha certeza do
por que. Seu rosto estava parcialmente limpo, ela não sabia de onde ele tirou
um lenço para limpa-lo, mas agora ela conseguia ver as feições dele. Era um
homem bonito. Mesmo com sangue pela cara toda. Os olhos eram afiados, cor de
rosa, com pálpebras curtas e uma gordurinha acima delas. As maçãs do rosto eram
altas e uma pinta protagonizava uma dela.
Ginger não estava no espirito de admirar
a beleza dele. Ela só o encarou, esperando-o terminar de falar.
-Isso não é um passeio, por que você...
Ginger não ouviu o que ele terminou de
dizer. Sua visão escureceu quando uma gota de sangue caiu do cabelo dele na
bochecha dela. Tinha miolos em sua cara, foi o que ela pensou antes de apagar.
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Levi olhou embasbacado enquanto a mulher
a sua frente caia desmaiada.
Ele a segura para impedir que ela caísse
de cara no chão, que já tinha formado uma lama nojenta a base de sengue,
surpreso ao ponto de seu queixo cair junto. As mãos dele sujam o rosto dela e
Levi percebe que estava imundo. Olhando para o rosto dela com aquelas manchas amarronzadas,
ele ficou horrorizado.
Era um rosto lindo, redondo, de lábios
carnudos, sobrancelhas e cílios brancos e delicados. O cabelo dela era branco e
ondulado. Branco como o cabelo de seu pai Éden, branco algodão, branco nuvem,
muito branco.
Ainda segurando o rosto dela, Levi olha
para si própria. Imundo. Ele estava simplesmente imundo. A moça por outro lado
estava desgrenhada, mas exceto pelos respingos recentes, ela estava limpa. E
ele ousava dizer que ela não lidava bem com sangue.
Segurando a mulher com uma das mãos, Levi
usou a outra para rasgar o resto da camisa. Ele ainda não tinha aprendido a
repelir sangue de sua pele com maestria, como seu pai e seu avô faziam. Então
usou a camisa para tirar o grosso do sangue. Sua pele estava grudenta e o
resquício de sangue nela parecia secar e craquelar. Era uma sensação horrível.
Levi ignorou completamente a situação de seu cabelo. Ele teria que cortar no
melhor dos casos.
Levi acolheu a moça em seus braços. Não
tinham zumbis em seu radar, então eles estavam seguros por enquanto.
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Soul só conseguiu se sentir embasbacada
quando finalmente achou sua irmã mais nova desmaiada nos braços de um homem sem
camisa desconhecido após procura-la por todo um bosque.
Olhando para o rosto de Ginger, Soul não
viu nenhum ferimento, apenas manchas de respingos de sangue já coagulados. Ela
também Soul percebeu pelos punhos da camisa do homem que segurava sua irmã que
ele era um Exterminador. O que parecia um bracelete de ferro cobria todo o seu
antebraço, o tipo de item que constava no equipamento de um Exterminador, para
evitar mordidas de vampiros e zumbis imobilizados.
-Obrigada, meu lorde.
Soul agradeceu sinceramente. Foi um
momento de terrível medo o que ela passou, desde que encontrou Beverly lutando
com os mortos e percebeu que Ginger não estava nas proximidades, a todo momento
imaginando que ia encontrar o cadáver de sua irmã meio devorado em alguma das
sombras da floresta.
-Disponha. É sua irmã?
Perguntou Levi, já sabendo a resposta.
Elas tinham algumas semelhanças, na testa e no nariz. A mulher em seu colo
tinha traços mais delicados, com o tipo de beleza comovente, já a mulher na sua
frente parecia uma fada do gelo, com o tipo de beleza fria e distante.
Soul concordou com a cabeça. A voz do
Exterminador a sua frente era cansada e pesada quando a questionou:
-Você consegue carrega-la?
-Não.
Respondeu Soul, fazendo com que o homem
suspirasse. Ginger não era uma mulher pequena. Assim como todos os Imortais,
ela era alta e esbelta, de pernas longas. Soul era um pouco mais baixa do que
Ginger, apesar de também ser alta.
-Seu uniforme é de uma Sombra. Sabe se a
situação já foi controlada?
-Sim. Os distritos já evacuaram os
cidadãos para os abrigos de emergência e há poucas hordas controladas na
cidade. Os Blackblood já se moveram, meu lorde.
Informou Soul, tranquilizando o
Exterminador. No final das contas, ela sabia que o receio dele era ajuda-las
enquanto tinham hordas rodando a cidade. Ela tinha recebido algumas informações
quando foi mandada para o distrito cinco para trabalhar. Depois de ter
averiguado todo o perímetro e mandado informações para o QG, Soul foi liberada.
As hordas foram controladas. Se Beverly não estivesse ali seriam muito piores.
-Ohh... Então vou carregar sua irmã para
onde vocês estão abrigadas.
Oferece Levi, sem nem esboçar um sorriso.
O cansaço começava a abatê-lo, mas ele estava mais tranquilo depois do que Soul
disse. Se seus parentes interferiram a situação já estava completamente
controlada. Seu pai estava na cidade, afinal. Levi olhou para a mulher
desacordada em seus braços. Se encontrasse algum morto-vivo perdido ele
conseguiria lidar melhor do que a Shadow a sua frente.
-Obrigada! Meus pais e irmã estão no
palácio.
Soul agradece com um sorriso. Ela não se
importou que o homem a sua frente fosse distante, mas ela conseguiu ver
claramente a surpresa dele, que a expressou com um:
-Ein?!
-O príncipe nos convidou a nos abrigarmos
lá. A estalagem em que estávamos foi o epicentro do incidente. Aquela ali!
Pegando fogo.
Explicou Soul, despreocupada. Ninguém em
One Hall com dois neurônios tentaria atacar alguém que tivesse relação com o
príncipe que morava no palácio, Éden Blackblood. Soul nem se sentiu culpada em
usar a influência dele para se resguardar com sua irmã.
Levi por outro lado sentiu-se alarmado
com essa informação, uma sombra se formando em seu peito. Seu pai era o único
que tinha um palácio e poder para convidar visitas para se abrigar nele.
Sentindo-se sortudo por não ter muitas expressões faciais naquele momento, Levi
questiona Soul:
-De família vocês são senhorita?
-Somos filhas do Conde Garden. Eu sou a
Soul e ela é a Ginger.
-Ela é a Ginger.
Murmurou Levi, olhando para a mulher em
seu colo com outros olhos. Quando era uma estranha, ele não sentiu nada, um
pouco de pena pela fragilidade dela, mas agora que sabia que era sua noiva
sentiu-se alarmado. Ela era frágil, quase inútil, que claramente só deu
trabalho. Uma carinha bonita. Claro, uma carinha muito linda, mas inútil. E não
era ruiva. Não era poderosa e não era ruiva. Levi sentiu-se implacavelmente
decepcionado. Quer dizer, Beverly era ruiva. Ele tinha esperanças que a gêmea
dela também fosse. Beverly era poderosa, a gêmea dela também deveria ser, né?
Uma ruiva poderosa, era o que ele esperava. O que estava em seus braços eram
cabelos brancos como nuvens e fragilidade.
Soul, a mulher na sua frente tinha um
físico atlético, assim como Beverly. Ginger era magrinha, como se não comesse
direito.
Levi se questionou se a mulher em seus
braços tinha alguma força. Ele só queria uma parceria com o qual não precisasse
se preocupar de ser devorada quando ele não estivesse olhando. Era pedir
demais?
Soul não tentou puxar assunto com o
Exterminador do seu lado. Ele parecia ter entrado em algum espiral de
introspecção e ela estava pouco disposta a conversar com ele. Sabia que sua
irmã tinha dado trabalho, ela sempre dava, principalmente quando o assunto eram
os mortos, mas estava pouco disposta a discutir os defeitos de sua irmã com um
estranho. Sabia que Ginger ficaria muito envergonhada ao acordar, não queria
adicionar mais uma vergonha a ela. Sua irmã era frágil, mas não estava inconsciente
de suas fraquezas. Ela sempre ficava constrangida e chorosa de ter dado
trabalho.
Chegando a palácio, os guardas os deixam
passar sem muitas burocracias, o que Soul estranhou, mas não questionou. O
Exterminador não caminha muito até encontrar alguém para carregar Ginger até as
acomodações de visita.
Depois que ele entrega Ginger, Soul volta
para agradece-lo novamente. Ao se despedir dele, Soul o observa dos pés a
cabeça novamente. No cinto da calça dele, uma borla manchada de sangue estava
pendurada junto com um brasão de um corvo pousando em uma foice. Então era um
Blackblood que as acompanhou afinal.

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