Capítulo Treze – Entrando no palácio!
No final da tarde do dia seguinte, Ginger
aproveitou o banho de banheiro de encanada do palácio. A água saia direto da
torneira, uma coisa maravilhosa. Não precisava de criados andando de um lado
para o outro. Ginger se aproveitou de tudo no banheiro. Do sabão, dos sais, do
incenso, do sabão para cabelo e todas essas coisas caras e importadas de outros
continentes. Ela se sentia uma verdadeira princesa, e estava pensando
seriamente em comprar uma bucha vegetal e alguns óleos para pele. Era inegável
que a família real vivia em luxo, mas Ginger considerou que a maioria dos
membros dos Blackblood serviam ao estado militarmente e achou justo.
Depois do banho, Ginger escolheu suas
fitas preferidas, assim como outros acessórios. As criadas do palácio a
ajudaram a se vestir. Queria perguntar sobre o noivo, mas ficou apenas querendo.
Tímida, ela nunca sabia como começar uma conversa.
Pronta, Ginger olhou-se no espelho,
gostou do que viu e desceu animadamente para a sala de estar.
O palácio tinha uma casa de hospedes, que
era onde os Garden ficaram durante a semana. Como conde, Isaac tinha sua
própria casa na cidade, mas como a família morava em outra cidade, a casa não
era usada e precisava de manutenção. Na sala de estar, toda família já estava
reunida e não demoraram para ir a ala que Éden Blackblood morava.
Ginger aproveitou para observá-lo o
palácio, ela nunca tinha ido aquela aréa. Era bonito, em um perfeito equilíbrio
entre robustez e delicadeza. Todo o exterior era de pedras perfeitamente
polidas e pátios cobertos interligava os prédios uns aos outros. Trepadeiras e
flores de todos os tipos subiam pelas colunas de pedras que sustentava as
cúpulas dos pátios. E enquanto as portas e janelas das partes inferiores eram
feitas de madeira robusta com grades de ferro, as janelas superiores eram de vitrais
coloridos. Cada pátio dava para seu próprio jardim e alguns tinham lagos com
carpas e outros peixes.
-Parece perfeitamente deslocado do que
vemos fora das muralhas.
Comentou Soul, suspirando. Seu tom não
foi completamente de crítica, no final. Os Blackblood mantinham toda a cidade
de One Hall de modo a ser possível esquecer o mundo além. Não era uma sociedade
perfeita, mas Soul foi a expedições o suficiente para saber que se algo Éden
Blackblood fez bem foi a manutenção de uma moral sem grandes dubiedades. Uma
sociedade tentando sobreviver tão ferozmente quanto a de One Hall não se
manteria em ordem se não fosse pelo poder, implacabilidade e senso de justiça
do Imortal. A máxima do mais forte governa era levado a ferro e sangue em One
Hall, e a moralidade de uma família tão poderosa quanto os Blackblood era
estranha. Afinal, quem realmente tinha poder para resisti-los?
Os Garden a ouviram, mas não responderam.
Sua casinha no exterior também era deslocada da realidade de fora da muralha.
Toda a área de dentro da muralha era o mesmo, mas assim como aconteceu no
Incidente de Villa Riggi, tudo o que eles viviam não passava de ilusão de
segurança. Beverly estava ocupada de mais procurando as flores que plantou com
Abraham e Ginger estava pensando em todos os lugares que ela colocaria um banco
ou um balanço pois a caminhada era muito longa. Isaac só aproveitava o
ambiente. Soul olhou para sua mãe, que ria dela com os olhos.
-O que foi?
Perguntou Soul, piscando confusa,
ligeiramente corada. Eleonora, que viveu em outra realidade e já estava
chegando em seu quarto século, sabia que era algo natural de todos os seres
humanos acostuma-se com uma falsa sensação de segurança, como se fosse
impossível qualquer desastre ou acidente acontecer. A segurança era uma farsa
em todos os cantos do mundo.
-Todo o mundo é deslocado do que vemos
fora das muralhas.
Respondeu Eleonora, segurando a mão da
filha e dando tapinhas carinhosos. Soul adquiri um tom de rubor mais intenso.
Sua mãe viajou o mundo antes de naufragar na Terra dos Mortos, ela tinha visto
muitas coisas. A maldição da Terra dos Mortos só acontecia na Terra dos Mortos.
Soul sempre sentiu que herdou a veia de aventura de sua mãe.
-Mamãe estávamos falando da sua terra
natal um dia desses.
Comentou Ginger, segurando um dos braços
de sua mãe. Eleonora deu um sorrisinho para sua outra filha. Nunca tinha falado
muito de sua terra natal, parte por saudades, parte por não querer que elas
incorressem da insatisfação de saber que poderiam ter uma vida diferente. A
verdade é que para Eleonora tirar seu marido e filhas da Terra dos Mortos, seu
pai precisaria interferir diretamente, atravessando um oceano e suas
tempestades com sua própria frota. O velho de Eleonora era detentor de uma
enorme coragem, o que ele não tinha de sobra era tempo para uma viagem de ida e
volta, atravessando um oceano, Sinceramente, Eleonora tinha medo do homem
morrer de tédio no meio do caminho.
-Eu queria morar lá.
Continuou Ginger, os olhos se tornando
sonhadores. Era uma alma de contradição, em alguns momentos cheia de energia e
em outros a pura exaustão. Dessa vez Eleonora verdadeiramente riu. O pouco do
que ela contou foi o suficiente para a filha mais nova querer ir para sua terra
natal.
-Tem os Corrompidos.
Replicou Soul, rindo também. Ginger faz
um beicinho e retrucou:
-Mas eu não precisaria ir para o
exército.
O grupo continua seu caminho e finalmente
chega ao destino desejado. Os Blackblood eram um tipo de família confiante em
sua própria força e não tinha guardas no exterior do palácio. Era possível ver
os servos andando de um lado para o outro, mas não guardas.
O palacete que parte dos Blackblood
moravam era o último prédio do palácio, perto de uma parte da floresta. Todos
os outros prédios do palácio eram administrativos, servindo apenas para funções
governamentais. Abraham e Levi tinham suas próprias casas fora do palácio,
assim como a princesa Peony. Os únicos que moravam com Éden eram seu filho mais
velho, Zachary Blackblood e a esposa deste.
Depois de se apresentarem para o mordomo
do palacete, os Garden foram conduzidos à sala de estar. Ginger agarrou o braço
de sua mãe nervosamente. Diferente do exterior, o palacete era confortável e
acolhedor. Os móveis eram de madeira, as paredes tinham cores confortáveis e o
piso também era de madeira. Tapetes estampados e coloridos cobriam o chão e
pintura de tinta a óleo enfeitavam as paredes. Os criados os cumprimentavam ao
vê-los e Ginger sentiu-se tonta com aquela mistura de imponência e conforto. Ao
mesmo tempo que parecia a casa de uma família normal, era a casa de um
governante poderoso.
O mordomo os anuncia ao chegarem à sala
de jantar e finalmente Ginger conhece a família de seu noivo.
Era um grupo de pessoas bonitas, com
orelhas pontudas, e exceto por três pessoas com cabelos escuros, a maioria
tinha cabelos loiros pálidos. Todos tinham olhos de pálpebras curtas, que davam
a impressão de terem olhos puxadinhos.
A única coisa que era constante eram a cor dos olhos, todos tinham olhos em
algum tom de rosas. Os olhos cor de rosa era a marca inegável de um Blackblood
e até o vampiro da família era conhecido por ela. Zachary era o único vampiro
com olhos rosas ao invés de vermelhos, assim como Akatsuki era a única damphir
de olhos rosa.
O homem que parecia o mais velho do grupo
é o primeiro a se levantar e cumprimenta a família, começando com Isaac e
Eleonora e depois Beverly. Ginger apenas o encarou enquanto esperava a vez
dela. Ela achou que tinha visto um arco-íris tremulando na luz dos olhos dele.
Desviando o olhar Ginger encontra outro par de olhos a encarando. Um homem de
cabelos pretos, cortado bem curtinho, estava escorado perto da lareira e a
encarava com o cenho ligeiramente franzido.
Ginger sentiu um frio no peito ao
reconhecê-lo. Os olhos afiados, a pinta na bochecha, aquele era obviamente o
homem que quase a empalou.

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