Capitulo Um – Arya
–Ali!
Pare agora, garota.
Ordena
um guarda em voz alta. Meu tempo para decidir acabou e meu corpo reage antes
que eu perceba e se impulsiona para frente. Maravilha! Eu não sei nadar. Fecho
os olhos enquanto espero o impacto com a água fria se consumar. Assim que minha
pele é mergulhada e espetada por partículas minúscula das águas gelada do rio
que desce das montanhas, a correnteza forte e imponente começa a me arrastar para
longe da fortaleza e puxar para baixo. Tento lutar para continuar na
superfície, mas é em vão. Uma confusão de bolhas, espumas, algas e do meu
cabelo negro me fazem me debater e desesperadamente tentar voltar à superfície.
Mas é por pouco tempo já que bato a cabeça fortemente em algum lugar e apago.
–-
Acordo
com o céu escuro sobre minha cabeça. As estrelas iam e vinham e minha cabeça
doía fortemente. Minhas mãos ainda estão algemadas, minhas roupas encharcadas e
pesadas e meu cabelo salgado grudado em meu rosto. Por um nonagésimo de segundo
tento lembrar onde estou. Não era a cela com certeza absoluta. O cheiro de água
salgada e areia se estendiam e viam de todo o canto. Embaixo de mim tinha areia
molhada e branca, e alguns pedregulhos também. Arvores faziam barulho por perto
e a água castigava as pedras. Como eu tinha chegado àquela praia. E mais
importante, que praia era aquela que não reconheci de nenhum livro que roubei
de alguns novatos. Será que se esqueceram dessa parte do estado? Ou aqui é algum
canto proibido já que não vejo no horizonte nenhum sinal de sadics vindo. Eu
não sei. E não estou ansiosa para descobrir. Levanto tonta, com meus músculos
cansados, minha cabeça latejando e meus pulmões cheios d’água a procura de uma
arvore bem grande. Por que se tem uma coisa que eu sei é escalar arvores.
Fiquei um bom tempo livre para aprender pelo menos isso. Lembro até hoje. Eu,
uma garotinha nanica, com os cabelos soltos ao vento, correndo dos meus irmãos
mais velhos quando brincávamos de pega-pega e subindo em arvores. Ficava toda
arranhava, mas era tão divertido que eu me esquecia dos ferimentos. Eram bons
tempos. Não lembro como os tive. Talvez eu fosse pequena de mais e não sabia
nada do que era o mundo exterior. Mas mesmo que tivesse uma arvore grande o
suficiente para isso eu não poderia escalá-la. Ainda mais por que estou
algemada. Achei uma arvore de tronco oco e raízes grandes e torcendo para não
ter nenhum animal lá dentro, me aconcheguei cansada e adormeci.
Algo
estava cutucando meu nariz. Era frio e macio como um focinho. Abro os olhos e
dou de cara com uma grande, negra e peluda cara de lobo. Não sei se grito ou se
bato no lobo. Até por que, fiquei paralisada ao invés de fazer alguma coisa. O
lobo de olhos azuis piscou os olhos. Estranho! Lobos piscam? Parece que esse
sim. O lobo coloca a enorme cabeça entre as patas. Algo me dizia que se ele
quiser-se me devorar já teria feito. Com a boca tão grande e as presas tão
afiadas seria muito fácil.
–O
que você quer?
Pergunto
como uma idiota para o lobo. Ele parece que entendeu o que eu disse e lambeu
meu nariz. Não foi uma atitude agradável, mas vou tomar isso como uma atitude
amigável. Suspiro pesadamente. Maravilhas! Agora tem um lobo enorme de preto e
peludo querendo ser meu amigo. Mas isso é melhor do que se ele quiser-se me
transformar em seu lanche da manhã.
–Você
quer me fazer o favor de sair da aí? Está atrapalhando minha passagem.
Peço
já estranhando minha grande paciência com aquele animal. Ele nem deveria
entender o que digo, mas insisto em falar com ele como se fala como gente. E
ele me responde como se fosse gente também. Só falta abrir a boca e falar. O
lobo continua parado, na dele. Praguejo baixinho. Maldição! Não seria mais
fácil ele me liberar e fazer amizade com outro lobo. Por que eu estou de
cansada de lugares apertados, poeirentos e pequenos. E eu não nasci para fazer
amizades com lobos. A não ser que ele arranje um jeito milagroso de se tornar
humano. Mas nesse mundo tudo pode acontecer. Então acho melhor eu para de
subestimar a inteligência desse lobo. Depois de um tempo o lobo de olhos azuis
sai da minha frente, eu finalmente posso sair daquele lugar. Tenho sorte que se
um dia os insetos foram bem pequenininhos, hoje eles são um pouco mais visíveis
e preferem cavernas a raízes de arvores velhas e bem grandes. Afinal, já faz um
século desde que os sadics de alguma maneira conseguiram jogar um foguete cheio
de soro delta que explodiu na atmosfera e cobriu a como um cobertor dourado.
Aos poucos, esse soro foi descendo para as nuvens, e quando começou a chover,
entrou no solo, infectou a água, os alimentos, os animais e os humanos. Tive
sorte de não ser daquela época, por que morria humanos aos montes. Nem todo
mundo aceitava bem o soro Delta, então o sistema entrava em colapso e o individuo
batia as botas. Digamos que os sadics fizeram a maior limpeza étnica da
historia da terra. Uma maldade e tanto. Quando coloco a cabeça para a fora a
primeira coisa que vejo é um humano encostado em uma arvore brincando com algum
tipo de arma branca. O humano estava de preto e couro dos pés a cabeça e a pele
eram de um bronzeado leve. O cabelo era curtos, negros, sedosos e de cachos
grandes e o maxilar quadrado. Era um humano que não perdia nada para um sadic.
Nunca vi um jovem humano antes. Muito menos um jovem humano com armas brancas.
Quando humanos chegam a Fell, eles são levados diretamente para a transformação
e viram sadics. Já conheci muitos ex-humanos que viraram sadics. Eles ficavam o
tempo de recuperação na prisão. Se nessa ilha tinha um humano o que significa?
Esperança, talvez. O humano para e como se ele souber-se que eu estava
olhando-o, ele me encara. O jovem tinha olhos cinza azulados intensos e
expressáveis. A janela da alma dele era bem aberta. Estava claro que ele não
estava feliz com a situação que se encontrava. O humano franze as sobrancelhas
para mim e volta a se concentrar em seu treino. Algo me dizia que ele não era
exatamente simpático ou amigável. De repente agora eu prefiro o lobo.
–Aspen,
não vai falar com a menina?
Pergunta
alguém atrás de mim. O humano para, me olha de cima a baixo e volta a manusear
a arma de maneira impressionante. E me ignora completamente. Mas que garoto
mais antipático. Agora eu quero ter a companhia do lobo. Mesmo não sabendo
falar ele era bem mais simpático.
–Cadê
o lobo simpático?
Pergunto
carrancuda. Se ele não me deu uma primeira impressão boa não tinha motivos para
eu dar uma boa impressão para ele. Até por que, seria gastar energia a toa.
–Está
falando do Zayn?
Pergunta
o humano Aspen sem olhar para mim.
–Esse
é o nome dele?
–É
e está atrás de você.
Responde
Aspen. Viro com o calcanhar já procurando o lobo negro no horizonte, mas dou de
cara com um jovem sadic da minha idade, sorridente e exalando simpatia. Por
incrível que pareça ele era loiro. O cabelo tão claro quanto às areias da
praia. E o lobo negro, Zayn, que tinha os azuis e era tão big, agora é só um
pouquinho mais alto do que eu. Um pouquinho do tipo uns vinte centímetros.
–Oi.
Cumprimenta.
Sinceramente, Zayn me parece algum tipo de garoto fofo. E isso era apenas
evidenciado pelo suéter marrom e vermelho em estilo tribal, a calça caqui
clara, e a touca cinza com orelhas de gatos que era muito fofa.
–Você
é loiro?
Pergunto
como uma idiota. É claro que ele era loiro, mas eu estava tão impressionada que
perguntei umas bobagens daquelas.
–Acho
que sou.
–E
por que sua pelugem é morena?
–Puxei
meu pai.
–Seu
pai é um lobo também?
–É.
–E
sua mãe?
–Não.
–Você
puxou a ela no quesito ser homem?
–Isso
por acaso é um interrogatório, por que se for, a estranha a ser interrogada
aqui é você
Reclama
Aspen impaciente, chegando perto de mim. De perto ele era mais bonito. Corado e
cheio de sardas. E era musculoso e bem alto também. Resolvi que não iria falar
com ele. Vou ignorá-lo. Ele me ignorou e é isso que vou fazer também.
–Puxou
a mãe no quesito humano, sadic. Ah, sei lá como se fala.
–Estou
falando com você.
Insisti
Aspen. Reviro os olhos e dou de ombros antes de me virar e repetir o que ele
disse mais cedo para Zayn ao meu respeito:
–Não
há nada para se falar.
–Agora
há.
–Vai
sonhando. Zayn...
–Oi.
–Pode
me responder, por favor?
–Não,
meu pai e minha mãe são em forma humana também.
–Que
legal! E tem mais de vocês?
–Tem
umas três matilhas só nessa ilha.
–Zayn!
Pare de falar com essa criatura que apareceu do nada, ela pode ser uma espiã,
tentando descobrir nossos maravilhosos segredos.
Esbraveja
Aspen com o pobre Zayn. Mas que criaturinha mais desconfiada! E olha que eu nem
sei onde estou. Imagina se eu invento de saber? Aspen me levaria presa para
algum lugar nesse canto. As algemas ele já tem.
–Eu
nem sei onde estou!
Retruco
impaciente. Aspen me olha ainda mais desconfiado. Eu vou socar a cara desse
humano, talvez faça um buraco no cérebro imprestável dele.
–Vou
fingir que acredito.
–Finja!
O que você faz ou deixa de fazer não é dá minha conta mesmo.
–O,
vocês, por que estão demorando tan... Quem é essa da aí?
Pergunta
uma loira descendo as dunas brancas do outro lado da floresta bem rapidamente.
Ela era muito branca. Quase ficou desaparecida em meio a tanta areia se não
tivesse usando preto. E se não fosse o suficiente o cabelo era branco e curto.
Os olhos, a única cor que tinha na criatura é verde mar. Muitos bonitos a
propósito.
–Eu
sei lá! O Zayn a achou escondida como uma cobra dentro das raízes da big
arvore.
Responde
Aspen me olhando novamente, bem rapidamente dessa vez. Ele estava por acaso
insinuando que eu seja uma falsa? Ou uma farsa? Por que se tiver esse cara não
perde por esperar.
–Ela
veio da onde?
Pergunta
a recém chegada, me encarando com aqueles olhos verdes mar, cheios de
desconfiança e curiosidade.
–Eu
não sei e não quero saber.
–Você
não é minha boca, Aspen, então fica caladinho no seu canto, está bem?
–A
boca é minha e eu falo quando quero e pra quem eu quero.
–Mas
não para mim.
Aviso
irritada. Quando eu for precisar de uma boca extra para falar comigo eu pedia.
E não seria Aspen.
–Continuem
assim! Vocês vão acabar como meus pais, casados, e cheios de filhos.
Comenta
a garota, sorrindo e levantando as sobrancelhas de surpresa.
–Nem
morto.
–Nem
se isso fosse o resgate para eu não voltar para aquela maldita prisão!
–Que
prisão?
Pergunta
Zayn, franzindo a testa.
–A
de Fell, do outro lado.
–E
como você saiu da ilha a alguns milhares de Km daqui e chegou viva? Melhor,
como saiu da maior e mais impenetrável fortaleza dos sadics?
Interroga
a menina desconfiada. Pelo jeito povo dessa ilha tem muitas pulgas atrás das
orelhas. Eles desconfiam até do vento.
–Eu
não consigo lembrar.
Sussurro,
respondendo para mim mesma. A ultima coisa que me lembro da minha fuga foi esta
em pé, na beira, as alturas, prestes a pular. Isso só fez a desconfiança deles
aumentarem em proporções inacreditáveis.
–Talvez
eles tenham te soltado e colocado você em uma câmera escondida e minúscula para
nos espionar.
Conclui
a garota, coçando o queixo, e me examinando. Eu não sei o que foi que eu fiz
para merecer uma situação dessas. Ah! Já lembrei: Fugi do único lugar que eu
conhecia. Zayn suspira e se exaspera:
–Pronto!
Agora, os dois estão paranóicos.
–Não
estamos paranóicos Zayn, você que é ingênuo.
Discorda
Aspen calmamente. Esse foi também o único momento em que ele demonstrou calma.
Por que nos outros, estava estressado, ou irritado, ou então desconfiado.
–Eu
que sou ingênuo? Só estou dando um pouco da minha confiança para essa garota,
por que eu vi alguém parecido no álbum de fotos antigas da minha mãe.
Suspira
Zayn, bagunçando seus cabelos loiríssimos com as mãos.
–Você
ver cada coisa Zayn.
Diz
Aspen revirando os olhos e começando a caminhar para dentro da floresta.
–Mas,
por via das duvidas, a estranha vem conosco.
Decide
a garota, me puxando pelas algemas. Maldição! Nunca mais deixo colocarem
algemas em na vida. Elas estavam machucando meus pulsos. Aspen que já estava um
pouco mais na frente para, e começa a chutar pedras por pura indignação. Acho
que ele queria era me empurrar para a árvore em que me acharam. Eu não teria
problema nenhum com isso.
–Eu
tenho nome e espera que está me machucando!
Reclamo,
sentindo dor nos pulsos. Agora eu tinha arranhões e marquinhas avermelhadas nos
pulsos.
–Tem?
Qual é?
Pergunta
a garota parando e arrumando as algemas.
–Droga!
Eu não lembro.
–Ok,
então, Droga! Eu não lembro. E seu nome é legal.
–Esse
não é meu nome.
–Eu
sei.
–E
por que você repetiu o que eu disse?
–Você
não tem um nome criatura! Veio de Fell e, quem vem de lá nunca tem um nome.
–Fui
capturada com cinco anos, eu sei que eu tenho um nome!
Insisto.
Quando fico convicta de alguma coisa, custa a tirar da minha mente que aquilo
não é o que pensei. E se tem algo que tenho certeza é que eu tenho um nome.
Afinal de contas, até meus cinco anos eu vivia de boa com meus pais. E é claro
que eles deram-me um nome. Esquecido pelo tempo em que eu fui chamada de
detento 079654.
–Que
não sejam números sortidos?Duvido!
–Você
duvida até do vento, Aspen.
Comenta
a garota, me segurando pelo braço. Ela era exatamente do mesmo tamanho que eu.
Só que mais alta, malhada, saudável e alimentada. E consequentemente mais
forte.
–Não
totalmente.
Discorda
Aspen parando para nós acompanhar. Ele ficou bem do meu lado. Acho que adquirir
alguma aspenfobia,porque de repente eu fiquei nervosa. Só de ter ele do meu
lado, tão perto que eu poderia sentir o calor emanar dele, meu coração foi a
mil.
–Aspen
precisa de provas concretas para tudo. Ele é um pouco perfeccionista.
Informa
Zayn de maneira desnecessária. De todas as pessoas do mundo a que eu não queria
conhecer Aspen ficava no topo da lista.
–Posso
dizer que não sou interessada em saber nada do Aspen.
–Aleluia!Você
a primeira.
Louva
a garota. Como isso me é estranho, pergunto:
–De
que gente?
–Não
fale gente novamente, por que não temos intimidade.
–Ainda.
–Como
é lobinho negro de fios loiros?
–Eu
te conheço, Zoey, você faz amizade com qualquer uma que não se interesse pelo
Aspen de vez.
–Conhece
uma ova, Zayn!
–Tem
certeza?!
–Absoluta,
lobinho.
–Lobinho?Ele
é um lobo bem grande.
–E
Zayn, conseguiu um puxa saco.
–Não,
senhor, eu estou dizendo que ele é grande sim.
Discordo
de Aspen, apenas repetindo o que eu disse antes. O Zayn é realmente bem grande
e disso eu tenho certeza.
–Ele
é o menor da matilha.
Avisa
Zoey.
–Eu
sou o mais novo!
–Eu
também e nem é por isso que sou a menor das minhas irmãs.
–Tem
lobo maior do que você?
Pergunto
entrando em estado de nervosismos espetacular. Esse povo quer me levar para um lugar
onde tem lobos gigantes? Vamos parar com isso que já está feio e medonho.
Decididamente não quero ir para esse lugar! Zayn até pode ser simpático e tudo
mais, mas e se algum parente dele não for com minha cara e inventa de me
devorar? Aí o bicho literalmente pega! Eu não nasci para morrer devorada por
lobos gigantes.
–Tem.
–Para
onde vamos?
–É!
–Quer
saber de uma?Eu fico aqui e vocês vão.
Opino,
parando bruscamente. Zoey me lança um olhar assassino. Aquela menina de repente
se tornou bastante perigosa. Quer dizer, com aquele corte em estilo Joãozinho,
e o punhal bem guardado dentro de uma das luvas de couro, ela já parecia
perigosa. Mas de repente, parecia que ela realmente iria usar aquela arma em
mim.
–Vai
sonhando.
Retruca
Zoey me puxando pelo braço. Algo me dizia que essa caminhada será longa, longa,
longa.
Como
parece que eu tenho azar de sobra, a Zoey me arrastou pelo meio da floresta sem
nenhum dó nem piedade. A todo o momento eu batia alguma parte do corpo em
alguma arvore, ou me arranchava em algum arbusto. Parecia que ela estava me
castigando enquanto podia para depois me pedir desculpas. Mas até quando eu
fico livre, sou obrigada a seguir dois adolescentes brutos. Zayn era simpático
pelo menos. Ele de vez em quando ia à frente de Zoey e abria passagem entre
arbustos, o que fazia Aspen suspirar peadamente. Era claro que a Zoey era
apenas descuidada depois de um tempo. E eu torcia para ninguém dá a minha posse
para o Aspen por que era capaz de ele deixar que desse de cara com alguma
arvore e nem ligar-se. A criatura era fria e insensível.
Depois
de algum tempo eu não me agüentava mais em pé. Eu despencava de um lado para
outro de fraqueza mesmo. A Zoey que era tão baixa e pequena quanto eu e acabava
despencando comigo.
–O
que deu em você?
–Pergunta
ela depois de cair em um arbusto comigo. Suspiro pesadamente. Sou uma criatura
anêmica, desidratada ,com sede e com fome. E cansada. Nem conseguir respirar
direito consigo, quanto mais.
–Sou
incapaz de continuar a ir onde vocês estão indo.
–Por
quê?
–Olhe
para mim, eu pareço bem alimentada?
Pergunto
para Aspen que cruza os braços antes de dar uma boa olhada para mm. Digamos que
foi desconfortável. Até por que sou uma pessoa praticamente esquelética. Não
que na prisão na dê comida para os presos, é que eu trocava muito de cela com
outros internos para evitar lembranças desagradáveis. E o pagamento era comida.
Então eu dava pelo menos oitenta por cento da minha comida e trocava de cela
toda a noite.
–Não,
você não parece bem alimentada.
Conclui
ele por fim.
–Alguém
vai ter que carregar ela e como vocês são homens, a missão fica a par de um dos
dois.
Avisa
Zoey jogando a responsabilidade para os garotos. Um olha para o outro como quem
vai competir para saber quem foge primeiro. Mas eles não fazem isso. Zayn abre
os braços, e algo estrala então ele faz cara de pesar para mim e avisa:
–Quebrei
a costela na semana passada, lembram? Aspen está com você.
–Você
é não é pesada não é?
Pergunta
Aspen olhando para mim como quem olha para uma sopa de couve e é obrigado a comê-la.
–Por
que a pergunta?
–Esta
em um caminho muito longe da base, e se você for pesada, não vou agüentar
muito.
–Pareço
pesada?
–As
aparências enganam.
Responde
ele, me jogando facilmente sobre os ombros. Aspen tinha um cheiro agradável,
diferente de mim. Como em Fell só tomamos banho duas vezes por semana, não
tenho um cheiro tão agradável.
–Isso
vai demorar muito?
Pergunto
já tonta de tanto balanço. Tive a impressão de que iria colocar toda a aquela
água guardada dentro de mim para fora a qualquer momento. Aspen suspira cansado
e responde:
–Espero
sinceramente que não.
–Já
estamos pertos, guris, apenas seja paciente.
Avisa
Zoey calmamente. Zayn me examina por uns instantes um pouco preocupado e avisa:
–Essa
menina esta ficando mais pálida ainda.
–Como
vocês conseguem saber a diferença entre um sadic pálido e normal? Vocês são tão
brancos.
–Pela
cor dos lábios. Sadics normais tem lábios avermelhados, quando ficam pálidos
seus lábios ficam arroxeados ou esbranquiçados.
Responde
Zayn pacientemente.
–Bizarro!
–Você,
né? Mesmo mais bronzeado do que nós é tão frágil, qualquer solzinho a mais e
tem uma insolação.
Responde
Zoey impaciente.
–Poupe-me.
–Vou
fazer isso mesmo.
–Que
bom.
Responde
Aspen. Depois tudo começa a ficar escuro como um túnel. Zoey coloca algumas
plantas em cima da luz e tudo fica escuro totalmente. De longe, eu posso ouvir
barulhos diferentes. Pessoas andando, conversando, rindo. Outras dando ordens,
gritando, atirando. Era algo estranho de se ouvir. O som da vida. Algo que eu
nunca tive na Fortaleza de Fell. Até por que, uma das regras de lá era fazer
silencio. E eles conseguiam nos fazer ficar quietos. A cada passo que Aspen
dava, os barulhos ficavam mais perto. Aspen para e me coloca no chão
suavemente.
–Agora,
você pode continuar andando.
–Obrigada
por ter me carregado, Aspen.
–Disponha.
–Vou
lembrar.
Respondo
enquanto tiram alguns galhos da nossa frente. Depois a ultima coisa que vejo é
a luz.

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