Capitulo Treze – Arya
Acordei
antes de o dia começar a nascer. O que foi um milagre. Passei a noite toda
chorando desde que descobri que o Bael sumiu e nunca mais tiveram noticias
dele. Parece que Hazazel estava mais do que motivado a acabar e desmantelar de
vez a família do irmão. Primeiro, assassina os pais, e depois separam os
irmãos. Mas como eu estou viva, tenho esperança de que Bael também tenha
sobrevivido. Afinal, ele sempre foi mais esperto do que eu. Toda vez que vejo
minha imagem no espelho, tenho esperança de que meu irmão está vivo. Em algum
canto do mundo. Se não estiver... Seguro o colar da minha mãe, que sempre
escondi das sentinelas da fortaleza, parece que ele me dá forças, enquanto olho
pela janela do meu quarto a movimentação que ocorre lá fora. Ouvi dizer que vão
evacuar toda base para o nível dois. Não faço a menor idéia do que isso
significa, mas parece que é grave. Com tantas pessoas e tantos automóveis
saindo por um túnel grande e negro. O hospital parecia vazio. As mansões
estavam sendo esvaziadas. Do lado de fora eu poderia ouvir a barulhada de
moveis sendo desmontados. Alguém bate na minha porta fortemente. Suspiro
pesadamente antes de destrancar a porta, e dá de cara com o humano Aspen. O Aspen
de hoje estava muito diferente do Aspen de ontem. Toda aquela impressão de
humano acabado tinha passado para sobrar nada menos do que o Aspen que manda em
tudo nas horas vagas. Ele estava com uma camisa social branca sobre um suéter
azul marinho bem escuro, com um blazer preto e bem alinhado por cima. Para
completar usava calça caqui clara e coturnos marrom escuro. O que Aspen estava
fazendo em minha porta uma hora dessas da manhã é uma grade incógnita. Afinal
da contas não simpatizamos. E ele gritou comigo da ultima vez que nos vimos.
Isso não adiciona nada em minha impressão positiva sobre o humano metido. Acho
que Aspen deve ter percebido minha surpresa desinteressada em sua pessoa.
–Bom
dia para você também, Litlle Raven.
Diz
ele invadindo meu quarto, praticamente sem pedir licença. Cruzo os braços, até
por que, não me sinto confortável perto do Aspen e não gosto de ser chamada de
pequena, mesmo que eu realmente seja pequena. Tenho que levantar a cabeça para
ver os olhos cinza do humano. E só isso me incomoda profundamente. E Aspen é
muito, mas muito expressivo mesmo. Ele não precisa falar nada, só de olhar para
ele dá para perceber o que a criatura está pensando. E agora, até o Aspen está
tentando entender o que ele está fazendo aqui.
–Você
sempre invade o quarto dos outros desse jeito em plena manhã?
–Não!
Eu fui obrigado pelo seu tio, como pedido de desculpas, a colocar você em meu
grupo de assistente, para ser minha pupila e te ensinar tudo o que você deve
aprender.
–O
que foi que eu fiz para ele querer me castigar dessa maneira tão brutal?
–Olha
só, garota, eu fui obrigado pelo meu superior a ser seu mestre. E como foi ele
que ordenou, eu vou ser seu mestre entendeu? Ou eu vou precisar desenhar?
–Quem
vai desenhar um belo de um não na sua cara sou eu!
–Então
diga isso para seu tio! Não pra mim.
–Eu?
Ele é seu mestre. Dá um jeito, se vira!
–Ótimo!
–Ótimo!
Agora cai fora da merda do meu quarto.
–Com
prazer.
Concorda
Aspen já caminhando para fora do meu quarto para meu grande alivio. Ok! Dessa
vez a culpa de temos discutido foi minha. Mas sou impulsiva e se não gosto de
alguém deixo isso bem claro. Alguém pigarra no canto do quanto antes que Aspen
saia completamente do quarto. Era claro que para Aspen o som já era conhecido,
por que ele tirou a mão da maçaneta deixando a porta bater. Demorei um pouco
para perceber que meu tio Alef estava vendo a cena nas sombras, em surdina.
Viro para onde o som tinha vindo e vejo-o escorado na porta, com o braço
cruzado e a expressão séria, tentando decidir o que iria fazer. Aspen vem para
o meu lado lentamente claramente sem graça. Talvez ele tenha colocado a culpa
de eu ser mal educada com ele em mim. O que não deixa de ser verdade, mas não
fui eu quem começou isso. Foi ele. Cruzo os braços e mantenho em minha posição
contra a ordem de meu tutor. Alef suspira pesadamente. Acho que ele deve ter
passado isso antes. A tia Bev tinha seus lapsos de super rebeldia. E minha mãe
era uma onda que nunca poderia ser contida. E quem a criou foi meu tio, porque
meu avô William, morreu quando minha mãe tinha quatro a cinco anos de idade ou
menos, talvez ela não tenha nem nascido ainda, mas eu não conheço essa historia
direito.
–Ok!
Vocês dois me digam o que está acontecendo aqui?
–Como
assim o que está acontecendo aqui?
Pergunto
tentando entender do que ele está falando. Até por que, para mim o que acontece
aqui parece obvio, eu estava tendo uma discussão com o humano. Alef caminha
lentamente até nós, ainda em seus pensamentos.
–Eu
não sou bobo, crianças, ou ainda não estaria vivo. Tem alguma coisa estranha
entre vocês dois.
–Tio,
não tem nada de estranho em ser sincero sobre quem você gosta ou não.
–Não
estou falando disso, Arya, estou falando que vocês não agem assim normalmente.
Você não é bruta com ninguém e você, Aspen, não faz o tipo que perde a
paciência fácil. Eu estou tentando entender por que os dois agem na defensiva
um com o outro. Como se tivessem medo de alguma coisa.
–Que
coisa?
Pergunta
Aspen falando por fim. Eu estava confusa, ele claramente não. De que tipo de
coisa meu tio estava falando, por que segundo meus conhecimentos eu vivo na
defensiva. Não imagino o porquê com Aspen isso se torna mais evidente.
–Você
sabe do que eu estou falando, a Arya claramente não. Isso faz Aspen que quem
está sendo o predador aqui seja você. Apesar da Arya está mexendo com os
hormônios de muitos nessa base, ela ainda é uma garota ingênua. Esperta, mas
ingênua. Isso fez com que eu coloque-a sobre sua proteção permanentemente.
Afinal, tudo o que menos quero é que minha sobrinha não passe por nenhum trauma
que ela espertamente se livrou na Fortaleza. Ou seja, minha cara Arya,
infelizmente para seu gosto, estou nomeando o caro Aspen, nosso melhor
estrategista como seu namorado oficial. De mentirinha é claro. Mas se rolar
algo real já está aprovado desde já.
–Senhor?
–Vai
reclamar da mãozinha? Posso revogar minha decisão tão rápido quanto a fiz.
–Não,
seja como você quer.
–Não
seja não!
Discordo
batendo o pé. Imagina, eu fingindo ser a namorada de Aspen para me proteger.
Não tem nem cabimento uma coisa dessas. Parece que o Lorde Dark ficou louco. E
é estranho Aspen nem ter falado nada. Era como se fosse à oportunidade que ele
esperava. Tio Alef afaga minha cabeça deixando em mais evidencia o quanto eu
sou baixa. Depois rir para mim como um garoto traquinando alguma coisa. O que
me dá medo. Depois dá uma tapinha de leve nas costas de Aspen e completou:
–Cuide
bem da filha de Hector Apache, Aspen, ela ainda tem muito a que viver.
Depois
Alef saiu e fechou a porta, me deixando perplexa, parada e com a boca aberta em
exclamação. Não pude parar de pensar o que foi que eu fiz para merecer isso.

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