Capitulo Doze – Beverly

Um silêncio se forma depois das questões da Angel. Não acho que tenha uma alma nesse ônibus que tenha coragem de tentar enrolá-la. Elas viram com seus próprios olhos. E eu, bem, uma parte de mim ao menos, aquela a qual eu não lembro, parece já ter sido introduzida a esse mundo.

Eu não sabia que Ítalo Garden era nosso pai, mas ver aquele quadro na biblioteca dos Garden me fez ter um comichão. Meus instintos me diziam que ele tinha algo a ver comigo e com as meninas, mas meus instintos só me dizem o que eu vejo, ou o que eu sei. Quando acordei hoje, me senti estranha, inquieta, irritada, mas estou assim desde que comecei a treinar minhas barreiras. E confesso, ando tão estressada, que as barreiras da minha casa estavam sem manutenção. Ainda bem que Hannah viajou com os pais e não pode vir para nosso aniversario. A Lina foi passar um tempo com os filhos, então também não pode vim, graças a Deus. Imagina ter que explicar a elas esse rolo todo.

Encosto minha cabeça no encosto da cadeira e suspiro. Sinto o olhar de Caryn em mim. Desvio os olhos culpada. Falando francamente, como eu diria para minhas irmãs que tenho poderes sobrenaturais? Ah! Olham manas, sei fazer barreiras? Plantas crescem a minha vontade. Incrível, né? Eu não saberia se quer começar essa conversa.

-Então, o que é que vocês são?

Pergunta Angel, quando o silencio se estende tempo de mais. Minha mãe respira fundo. Silencio novamente. O pé de Angel começa a bater ritmicamente, impaciente e dominadora, seu humor indo às profundezas do inferno. Dexter cruza os braços e suspira ao responder:

-É um homus superior. Ou Alto Humano, se preferir.

-Superior?

-Sim, superior! Mais forte, mais rápido, mais resistente.

-Pelo menos ele não falou mais inteligente.

Resmunga Angel, irônica, revirando os olhos. Sou mais forte do que a Caryn e mais resistente do que a Angel, mas Angel tem um físico infinitamente melhor do que o meu. Estou sempre exaurida.

-Pensamos mais rápido, serve?

Pergunta Dexter, um mexedor em ninho de vespa, irritando minha irmã ao ponto dela realmente aumentar o tom, ela não tem meias palavra:

-Você é um imbecil, sabia?

-Jura? Não tem nenhuma ofensa melhor?

-Estúpido.

-É quase a mesma coisa que imbecil!

-Por que você é um!

-Assim você magoa meu coração.

-Bastardo!

-Você!

Retruca Dexter claramente irritado e abalado, com os olhos verdes cor do mar semi cerrados. Os cílios dele são tão grandes que fazem sombra em sua bochecha.

Parece que não somos as únicas que tem um histórico ruim com pais e abandonos. Angel cruza os braços e também semicerra os olhos de tal modo que ficava difícil de vê o azul de seus olhos. A Angel não parece muito com a mamãe. Exceto pelos olhos, azuis cor do céu, assim como os olhos da Caryn. Os meus são de uma cor estranha. A Angel provavelmente puxou o nosso pai. O cabelo dela é branco, apesar de nunca ter platinado. Tem olhos amendoados, de um azul intenso e obstinado. É extremamente cabeça dura e não medem palavras, o que faz com que sempre saia maldades de sua boca, mesmo algumas sem querer. E sua personalidade é tão forte que é difícil de lidar.

-Dexter.

Adverte Aaron em um tom de voz de quem não está gostando de nada disso, ele estava mandando mensagens pelo celular.

-É ela que provoca! Se ela provoca é de se esperar que seja resistente o suficiente para ser cutucada de volta.

Resmunga Dexter cruzando os braços e olhando para a Angel como se fosse pular no pescoço dela a qualquer momento. Não que ele fosse fazer isso, já vacilei com a segurança da minha família hoje, não vou ter pulso leve tão cedo. Encaro o Dexter. Aaron olha de relance para mim novamente. Ainda aquele olhar desconfiado.

-De vez em quando somos chamados de Sadics também.

Continua Eva ignorando completamente a treta que acontecia e chamando a atenção de Angel. Mal humorada minha irmã mais velha pergunta:

-Por que Sadic?

-Alguns de nós temos gelo ao invés de um coração.

Responde Cam, suspirando. A Caryn estava o fulminando com os olhos e ele nem mostrou o que é ainda. Desconfiada sobre Cam, Caryn questiona Eva:

-É verdade?

-O que você acha? Sua irmã foi castigada por que se apaixonou por seu Shadow, como se isso nunca tivesse acontecido antes.

Expõe a Raven. Não sei se a esgano ou se a abraço. Ah! Então foi por isso que eu perdi a memória. Alef poderia ter simplesmente me dito de uma vez só! Apesar de que eu desconfio que o objetivo do desafio que ele me fez é outro. Angel desarma e pergunta:

-Quem?

-Alef.

Respondo não me importando em esta expondo o Alef. Afinal, ele mentiu para mim mais de uma vez por causa desse assunto. A Angel levanta ambas as sobrancelhas e muito séria, afirma:

-Você já sabia.

-Não sabia o porquê?

Explico também cruzando os braços. Eva rir e com muito sarcasmo critica:

-Não é ridículo?!

Ficamos em silencio por mais algum tempo. Minha mãe estava em silencio o tempo todo, com a cabeça escorada no encosto do banco e os olhos fechados. Não fico chateada com ela. Primeiro por que eu já sabia, segundo por que uma sociedade onde punem adolescentes por se apaixonarem não é o tipo de lugar que eu gostaria de voltar, ou que minhas irmãs conhecessem.

Caryn quebra o silencio ao questionar:

-O que é um Shadow?

-Guardiões. Eles são nossos protetores, entende? Luta por nós e nos mantém longe de perigo.

Responde minha mãe com um longo suspiro. A sobrancelha de Angel levanta e indignada ela pergunta:

-De que perigo? Não sou capaz de lidar com meus próprios problemas?

-Não com esses problemas.

-Homens?

-Sadics.

Retruca mamãe olhando para a direção da nossa casa. Com um aceno de cabeça, Angel considera e então imediatamente depois ironiza:

-Então vocês ficam nos vigiando? Incluindo quando tomamos banho e dormimos? Isso é acalentador.

-Não, isso sou eu que faço.

Responde Eva entrando novamente na conversa. As sobrancelhas de Caryn franzem ao perguntar:

-Você é uma Shadow?

-Sim, cuido de vocês quando eles não podem tipo quando tomam banho e dormem.

-E como não percebemos?

Indaga Caryn, com os braços cruzados e as sobrancelhas levantadas. Sua cabeça virou levemente em uma posição adorável. Cam responde:

-Somos treinados para isso.

-E por que os Shadows não podem namorar?

Continua Caryn, olhando para Cam. Ele esboça um sorriso e sua posição se torna menos rígida ao responder:

-Não é que não podem o Alef é quem não pode.

-Por quê?

Pergunto, entrando na conversa. É do meu interesse por que caiu na minha conta. E porque o Alef parece uma montanha, imóvel, quando o assunto é nosso relacionamento. Ele é realmente inflexível. Imagino que seja por que eu fui machucada com a ultima tentativa. E de certo modo, esse cuidado me deixa lisonjeada. E irritada. Muito irritada. Quero balançar o Alef ate juízo se formar nessa cabeça bonita dele.

-Por um motivo tão absurdo que até dizer é constrangedor.

Responde Dexter balançando a cabeça.

Ouvimos uma forte batida no teto do ônibus. Olha para cima e Alef estava agachado na beirada do teto solar já que estava abrindo. De lá, não conhecendo a vergonha, ele responde:

-Querem minhas sementes.

-O quê?

Questiona Caryn e Angel em coral, com os olhos arregalados. Cam cobre a boca com a mão escondendo o sorriso e Dexter implora exasperado:

-Não repete pelo amor de Deus!

-Suas coisas não podem ser tão valiosas.

Retruco indignada. Como assim Alef Garden? Como assim? E esse Conselho que claramente não bate bem da cabeça. Oi? Pelo pouco conhecimento que tenho do Alef, ele não parece alguém que deixariam usar seus filhos.

Alef senta em uma das cadeiras e com um balanço de mãos e uma cara lavada me retruca:

-Ah! É sim, sou um Meio-Regente!

-Outro termo.

Resmunga Angel revirando os olhos, já impaciente. Realmente, é muita informação para um dia só. Olho pela janela. Não sei para onde estamos indo.

Alef, de um jeito muito simples, ao mesmo tempo em que beirava a arrogância, explica para a Angel, apontando para os outros sadics do ônibus:

-Sou melhor do que eles, Alto humanos, sadics normais.

-Sim, inclusive é mais louco que todos nos juntos.

Concorda Eva, não deixando de alfinetar. Alef realmente tem uma energia diferente da dos irmãos. Sua presença era muito pesada, no sentido literal. Minhas irmãs e minha mãe começaram a respirar pesadamente assim que ele entrou no ônibus. A única mudança em mim foi a palpitação do meu coração. Estou particularmente atenta a ela, quero saber quando eu parar de admirar o Alef como um ser bonito, que dar aquela emoção que coisas bonitas dão e passar a vê-lo como um homem. Raios caem duas vezes e pode acontecer de eu me apaixonar pelo Alef novamente. Alef encostando-se à poltrona do ônibus, em uma descontração de todo tempo do mundo, responde:

-Hahah! E mesmo assim você quer ser minha madrasta.

-Seu pai é maravilhoso, você não!

Retruca Eva, um pouquinho irritada. Eles dois realmente parecem muito familiarizados. Alef apenas levanta a sobrancelha em resposta. Um dos seus olhos estava ligeiramente roxo, mas a cor parecia desaparecer muito rapidamente. Caryn, possivelmente estranhando um pouco o tom que Alef falou dos seus irmãos pergunta:

-Você não são irmãos?

-Por parte de mãe.

Responde Dexter com um dar de ombros. Já sabíamos que Cam tinha um pai diferente da dos irmãos, mas como a idade entre os meninos parece ter pouca diferença se esperaria que ao menos Alef e Dexter tivessem o mesmo pai. Isso se ignorasse completamente que Alef não é tão parecido com os irmãos. O formato dos olhos e das sobrancelhas e completamente diferente. Conseguimos achar semelhanças se prestarmos muita atenção. Para ter três filhos de pais diferentes, com idades parecidas, respeitosamente falando, ou a Eva era burra ou azarada.  Vou pender por azarada, por que é mais respeitoso e mais provável. E por que minha mãe também é solteira, então não quero ficar julgando as mães solteiras alheias. Principalmente as que não estão mais entre os vivos. E de quem eu não conheço a historia. As sobrancelhas de Angel levantam ao perguntar:

-Pais diferentes?Vocês não tem idades parecidas?

-Alguns raios caem duas vezes.

Responde Dexter olhando para os irmãos com um sorrisinho. Claramente tinha uma piada interna entre eles. Com um meio sorriso, Cam completa:

-No caso da nossa mãe, dois machos ruins.

-Se fosse só os machos ruins. Um de nós é planejado, os outros dois é porcentagem.  

Continua Alef com um bocejo. Se eu entendi mesmo o que eu entendi, dois foram “acidentes”, ou seja, Eva Garden era um imã de azar. Caryn virando um pouco a cabeça e contata o obvio:

-Não são próximos de seus pais.

-O pai do Alef nos criou. E ele.

Responde Dexter apontando para Aaron que tira os olhos do celular e responde:

-Por que você acha que minha esposa não quer filhos?

-Culpa do Alef.

Responde Cam, agora com um sorriso real. Não vou mentir, eu acredito. Alef, com falsa indignação, responde:

-Minha?!

-É tudo culpa do Alef.

Concorda Dexter com um aceno de cabeça. Alef retruca com afinco:

-Fui uma criança maravilhosa.

-Sei!

Ironiza os irmãos em conjunto, semicerrando os olhos. Alef cruza os braços e com uma cara de deboche encara os irmãos de cima a baixo. Cam e Dexter riem da cara dele. 

-E um adolescente melhor ainda.

Ironiza minha mãe, levantando uma sobrancelha com deboche. A Angel faz igualzinho. Minha mãe tem uma não hostilidade com Alef. Parece hostil, mas apenas esta sendo rígida. Mantendo uma distancia de Alef por que não tem muita confiança sobre ele. Considerando que acabei sem um ano de memórias e enxaquecas residuais por namorar o Alef, acho que faz sentido que ela seja no mínimo cautelosa. Alef coloca a mão no peito como se tivesse sendo injustiçado e retruca apontando para mim:

-Ora, sogrinha, eu não fui tão ruim, mas isso realmente foi culpa minha.

-Oxe! Alef, desde quando somos responsáveis pelas maldades alheias?

Objeta Aaron, com as sobrancelhas franzidas. Fico confusa. Por que Alef insiste em dizer que a culpa é dele? Ao mesmo tempo em que outras pessoas discordam. A minha mãe considera por um momento.

Depois disso segue-se mais um silencio. Que dessa vez é quebrado por Angel, que parece querer perturbar, vira-se para Dexter e afirma:

-Então no final, você é um vampiro!

-Eu não sou um vampiro.

Retruca Dexter com muita firmeza. Parece que é um assunto sensível para ele. E sabe quem não é muito sensível: Angel. Minha irmã pergunta cheia de ironia e irritação:

-Então, o que você é, estressadinho?

-Um presai!

-Oh God! E eu sei o que é isso?

Debocha minha irmã, revirando os olhos. A paciência dela para o Dexter não é pouco, é inexistente. E aparentemente é recíproco, por que Dexter responde um pouco mais irritado:

—Sadics com presas.

—Vampiros?

—Vampiros bebem sangue, sadics presais não.

—Dexter, você não bebe sangue?

—Ah, meu Deus do céu! Eu acabei de explicar. Não Angel, eu não bebo sangue.

Irritou-se Dexter de uma única vez. E minha irmã brinca em serviço?Infelizmente não. Ela já emenda um:

—AH! Está bom. Não precisa se estressar.

—Você faz pergunta de mais.

—Eu só estou procurando respostas.

—Você vai morrer se não tiver?

—Quem esta sendo curioso agora?

—Eu só estou procurando respostas.

—Plagiador.

—Chata.

—Irritante.

—Lin...

—Você ia me chamar de linda?

—Impressão sua, eu ia dizer licenciosa.

—Não sou idiota. Essa palavra nem deve existir.

Dexter suspirou alto. Quando Angel quer perturba, ela realmente se dedica a fazer isso. Digo por experiência própria. Cam balança a cabeça ao comentar:

-Angel fez a mesma escola que o Alef.

-A Angel não conhece o Zachary!

Retruca Alef calmamente. Acho que o Alef parece ainda mais difícil de lidar do que a Angel. Minha irmã se irrita fácil, enquanto o Alef parece intransponível às vezes. Ou talvez eu só esteja passando pano para a minha fera. Que inclusive mostra as presa para mim:

-Inclusive Beverly.

-Ah meu Deus!

Suspiro me arrependendo. Acho que o Alef é mais fácil de lidar. Pelo menos ele não é inconveniente. Minha irmã não se intimida e com os olhos semicerrados interroga:

-Você tem poderes desde quando?

-Desde os doze.

Respondo constrangida. A Angel fica brava quase que instantaneamente. Não tiro a razão dela. Realmente meus poderes começaram a aparecer aos meus doze anos, e eram aterrorizantes. Era ainda mais aterrorizante o fato que minhas irmãs continuavam normais. Ok, a Angel já era mais forte e rápida do que a maioria dos garotos que conhecíamos e a Caryn tinha uma regeneração anormal comparada às outras crianças, mas eu também era assim, e demorei um pouco para perceber que aquela força, super regeneração e super sentidos não eram normais. E quando eu comparava os pontos em comum com minhas irmãs, eu ainda era superior em pelo menos dois de três. A Angel é fisicamente mais forte do que eu, e do que a maioria dos homens humanos que conheço, e a Caryn gasta mais energia do que deveria, o que me faz pensar que ela tem algum poder passivo. Coragem foi o que me faltou para contar a elas. Com um erguer de sobrancelhas, Angel questiona decepcionada:

-E você não nos contou?

-Ela advinha chuvas um mês antes, precisava ter contado?

Retruca Alef, saindo imediatamente em minha defesa. Angel olha para ele contrariada. Alef deu os ombros à encarada dela. As sobrancelhas de Dexter levantam quando com tom um pouco debochado ele pergunta:

-Ou você acha que é normal?

-Faz sentido.

Responde Angel depois de pensar um pouco. Justa, ela sempre foi. Não posso dizer que fui muito eficiente escondendo meus poderes por que de vez em quando realmente escapava um ou outro, mas as barreiras, as plantas crescerem muito rápido e a real forma de Grandion, realmente, essas eu escondi.

Dexter pareceu surpreendido com o fato de Angel concordar que com algo que ele disse e ela rir dele com um pfft. Minha mãe tinha encostado a cabeça na janela e seus olhos estavam fechados. Eva dirigia concentrada, Cam tirava um cochilo e Alef me encarava. Por que tenho a sensação de que a sabia que tudo isso iria acontecer?

-Aonde vamos?

Pergunta Caryn, percebendo que não estávamos mais em Destiny. Aaron tira os olhos do celular para responder:

-Para a nossa base, ela é segura. Estamos quase chegando.

O ônibus para no acostamento um tempo depois. Aaron encara a motorista com confusão. Eva vira para nós, abri a porta do ônibus e avisa:

-É melhor deixar o ônibus aqui e caminhar até a base.

-Por quê?

Pergunta Aaron semicerrando os olhos. Eva vira a cabeça para o lado e responde:

-Choveu e a terra deve está úmida.

Consideramos essas informações e descemos do ônibus com suspiros. Tem uma estrada de terra ao lado do acostamento. As arvores, os galhos e a escuridão não eram acolhedores. O vento uivava e castigava minha pele. Todo o lugar tinha cheiro de mato, terra molhada e alguma outra coisa que não consegui descobrir. Parecia cenário de filme de terror. Como é que personagens de filmes de terror têm coragem para explorar lugares assustadores? Pois se os Garden e minha própria mãe não caminhassem na minha frente, com certeza eu não colocava meus pés nessa estrada. Sorte que o Alef estava posicionado atrás de mim, o que me delegava uma segurança acolhedora.

-Você ainda tem medo de escuro?

Pergunta Alef, soprando em meu ouvido, me dando um susto que me fez tremer toda. Olho para ele. Seus olhos estavam brilhando, as pupilas como as de um gato. Então por isso a falta de lanternas. Não é um problema para mim também, eu enxergo no escuro, mas para isso eu tenho que arranjar coragem de abrir os olhos primeiro. Realmente não sei o porquê tenho tanto medo, mas tenho um instinto de que não é seguro se quer olhar. 

-Acho que você tem a resposta. Inclusive, Alef, você já sabia o que aconteceria hoje?

-Sim, estou inquieto há uma semana.

-E por que não avisou.

-Se tivesse avisado que diferença faria? Ainda apareceriam atrás de vocês aonde quer que fossem. Aqueles desgraçados podem ser muito insistentes.

-O que eles querem?

-Manutenção do status Quo.

-E como é que nosso relacionamento pode ameaçar o status Quo?

-A questão não é nosso relacionamento, sou eu a ameaça. Você se tornou um calcanhar de Aquiles quando nós envolvemos, por que não tem nenhuma relação com eles. Minha ex-namorada, por exemplo, é filha de um Ancião, então era como se eu estivesse prestes a fazer parte do grupo. E se não estou com eles, sou uma ameaça.

-E por que minha vida entrou na reta?

Pergunto encarando o Alef e parando de esfregar meus braços para esquentá-los. Ele me encara de volta. Seus olhos vermelhos, cheio de sede de sangue. A energia que ele emanava parecia perigosa, como quem estava cheio de sentimentos negativos, mas não eram em minha direção. Graças a Deus! Não eram para mim e mesmo assim eu me sentia intimidada e assustada, imagina o real alvo. Alef parece odiar o Conselho com tanta força que estava marcado em sua alma.

Não desvio meus olhos dos dele, mesmo que eu me sinta aterrorizada. Depois de alguns segundos, ele cede, desviando os olhos e me dando batidinhas de conforto na cabeça. Oi? O que foi isso? Meu coração estava acelerado e eu me sentia um pouco sufocada, por isso não me importei muito quando ele tocou em minha cabeça. Lembrando da minha questão, jogo o medo para o fundo da minha mente e interrogo:

-Não vai responder minha pergunta?

-Ameaçaram sua vida por que não representam ameaças a minha.

Responde Alef com um suspiro pesado. Quando eu iria perguntar o porquê, começamos a ouvir sons chegando perto. Olho para Alef preocupada e ele parecia que estava dando um passeio relaxante no meio da noite. As reações desse homem são exasperantes. Ele realmente anda por ai como se tudo o pertencesse. Luzes são vistas e logo são jogadas contra nosso rosto.

—Acho que cheguei na hora certa.

Disse uma voz feminina. Olhei para a dona da voz.

Uma pequena tropa de adolescentes bonitos apareceu perto das arvores da floresta de uma trilha um pouco a frente. Tenho certeza que são Alto Humanos. Eles tinham características parecidas com a dos Garden e Trouble. Rostos e corpos bonitos e olhos claros. As cores dos cabelos variavam de branco algodão a castanho escuro.

A líder deles estava à frente, aparentava ser jovem,, mas a maturidade em seu olhar e o meio sorriso entregava que não era o que parecia. Ela me parece familiar. O cabelo era longo, ondulado e azul candy. Os olhos cinza estavam delineado em preto e dourado, o que dava a ela uma expressão de felina. Ela era a mais branca e a mais alta do grupo. Usava uma calça de couro, coturnos, cropped preto deixando toda a sua barriga durinha de fora, sobre o cropped uma jaqueta de couro. E segurava balestra com lanterna.

—Bonnie!

Gritou minha mãe animada e abraçando a Bonnie. A moça a abraça de volta e por um momento achei que elas começariam a pular de alegria. A moça do cabelo azul a cumprimenta de volta:

—Cunhadinha. Como você está? Deve ter sido um susto, não é?

-Estou irritada, mas vou sobreviver! Só que as meninas...

Minha mãe não completa a frase e olha para nos. Os olhos de Bonnie arregalam ao nos ver, principalmente ao olhar para a cara de Angel:

-Ah! Olá! Meu Deus! Você é a cara do Ítalo.

-Sou produção independente.

Responde Angel, mal humorada. Ainda não foi esclarecido o porquê Ítalo sumiu. Bonnie olha para minha mãe, que apenas balança a cabeça com um suspiro.

-Vamos caminhando.

Diz Aaron quebrando o silencio constrangedor que se formou. Bonnie estende a mão, Aaron segura e eles caminham na frente, abrindo o caminho. Aparentemente é um casal. Vamos atrás deles. Caminhamos pela trilha, que parecia limpa e usada, apesar de escondida, até chegar a um paredão de rochas.

—Onde estamos?

Perguntou Caryn, não entendendo muito. Meus instintos diziam que esse lugar é mais do que parece. Minha mãe olha para minha irmã mais nova e diz:

—No lugar onde vocês nasceram.

—Nascemos em um desfiladeiro?Tipo como isso aconteceu?

Perguntou Angel irritadíssima. Saber que nasceu a base de um desfiladeiro é desagradável. E a Angel já não gostava do nosso pai, agora então...

—Não no desfiladeiro, mas dentro.

Esclareceu minha mãe. Bonnie larga de Aaron e dá um passo a frente. Ela tirou o musgo de uma parte das pedras. E apareceu uma maquina de escâner. Bonnie colocou a mão nele e o desfiladeiro abriu bem no meio. Revelando uma base subterrânea super tecnológica. O local era todo estúpido de pedra e madeira, com varias plataformas e escadas, e vários andares também. Todo prata e branco. Tinha flores nascendo em nas colunas, e muitos Alto Humanos treinavam. Sei que são Sadics por causa do cheiro.

—Bem vindos a nossa base.

Disse Bonnie abrindo passagem, com um sorriso acolhedor.

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