Capitulo Treze – Angel

 -Antonieta!

Chama um homem assim que entramos. Era esguio, loiro e seus olhos eram verdes e familiares. Onde os vi? Não lembro. Minha mãe não parecia muito animada ao vê-lo, mas ainda responde educadamente:

-Enzo, há quanto tempo?

-Não sei, qual foi a ultima vez? Quinze anos? Vinte anos?

Pergunta ignorando completamente o tom frio da minha mãe. Não gostei desse cara. Ele tem umas vibrações ruins. Antonieta levanta a sobrancelha e responde com um tom de irritação:

-Foi há dezoito anos.

-Ah! São suas filhas? Já estão enormes! É uma pena que Italo não esteja mais aqui para ver, não é?

-Sim, realmente é uma pena.

Concorda minha mãe com raiva. Ela não parece está em bons termos com esse moço. Enzo continua fingindo que não percebeu, seus olhos ligeiramente semicerrados, o sorriso um escárnio. Eu achava o Dexter irritante, mas meu Deus! Minha chega coça de vontade de dar na cara dele. Só não dou porque eu não me garanto contra esses “Sadics”. Dexter me deu um puxão durante o ataque a minha casa que eu não conseguiria resistir nem se eu quisesse. Meu braço está doendo até agora. E também não quero um processo, se não ate tentava, para dar um susto. Imagina ser debochado com minha mãe? Não merece uma tapa no pescoço?!

-Acabamos de chegar, Enzo. Já preparou os aposentos?

Pergunta Aaron, com um tom gelado como o ártico. Os olhos de Enzo semicerram. Eu já vi esse cara antes? Onde foi? Meu Deus! Meu cérebro deve está tão sobrecarregado que está falhando. Espero que não tenha mais nenhuma revelação bombástica hoje, se tiver, não respondo por mim. Com o tom sínico dele, Enzo responde:

-É claro! Vocês devem saber onde é!

-Então meninas, vão à frente. Eu tenho que conversar com o Enzo.

Avisa minha mãe, com o tom de ponto final que a Beverly imita direitinho. Concordamos com a cabeça. Aaron, Bonnie e minha mãe seguem com Enzo. Não retruco por que estou cansada, faminta, com fome. Minha cabeça dói,  o Dexter me irrita, e já estou brava com o fato de que eu perdi minha casa, meu bolo, meu cachorro não deu o ar da gracinha dele ainda.

-Vem Angel.

Chama Dexter. O encaro muito raivosa. Só não provoco por que ele tinha um olhar sei lá, raivoso. E triste. De onde viera esse olhar de cão abandonado? Ele não estava assim antes.

-Por que você esta tão triste? 

Questiono um pouco intrometida. Dexter me encara por um momento. Suas sobrancelhas franzem rapidamente e ele responde seco, me dando as costas:

-Não é nada.

Não fico mais chateada por que os problemas do Dexter são problemas do Dexter e não são da minha conta. Sigo Dexter com passos largos, quase uma corridinha. Ele andava muito rápido, tem pernas longas. Sua imagem de costas realmente parecia triste. O alcanço quando entramos no elevador. Minhas irmãs já estavam dentro e Cam segurando o botão do elevador.

Subimos em silencio. Eu encosto-me à parede do elevador. Cam jogava as chaves no ar e depois as pegava, Dexter parecia uma estatua infeliz, Alef estava irritado por algum motivo, a Beverly calada como uma múmia e Caryn com os ombros encolhidos de cansaço. A menina estava tão bonitinha mais cedo. A barra do vestido estava toda suja de terra, e em algum momento Caryn fez um nó na saia do vestido. A Beverly bem se deu o trabalho de tentar manter seu vestido limpo. Sorte nossa que todas nós resolvemos usar tênis. A minha calça parecia particularmente apertada. Só quero uma cama e um cobertor quentinho agora.

Suspirei pesadamente.

—Está demorando.

Comento impaciente. Parecia uma eternidade. É um daqueles momentos curtos que são tão tediosos e silenciosos.

—Não faz nem um minuto que entramos aqui.

Retruca Dexter irritado. Cruzo os braços. Ok! Ele tem razão, mas isso me deixa ainda mais irritada e inquieta.

-Foi um dia cansativo.

Diz Beverly fazendo com que eu engolisse minhas palavras quase que literalmente. Não sei que tipo de sensor a Beverly tem que ela sempre sabe quando vou arrumar confusão. Ainda acho que o Dexter merece ouvir umas poucas e boas. Onde já se viu descontar a raiva nos outros?! Vou deixar essa passar.

Ficamos em silencio novamente. O elevador abre. Um grande corredor, com varias portas, é visto. Sadics saiam deles todo instante. Acho que aqui são os dormitórios. Cada porta do corredor era de uma cor sombria. Tinha desde preto a roxo escuro.

Saímos do elevador, Dexter ainda na frente até um apartamento com a porta roxa quase preta. O numero 712 dourado estava centralizado na parte de cima da porta. Dexter abre e entramos. A luz e ligada. Estou surpreendida.

Achei que o apartamento seria pequeno e fechado já que estava dentro de um penhasco, mas era espaçoso e incrível.

O lugar era dividido em duas partes.

A primeira era a sala de jantar, de estar, o banheiro e a cozinha. Então tinha uma escada que dava para o segundo andar. Que não tinha paredes. Era tipo uma grade de vidro e algumas cortinas transparentes. A parede do fundo era toda de vidro e dava de vista com as montanhas da cidade.

—Nossa...

Digo impressionada, tirando os sapatos e já tomando posse do sofá. Meu corpo relaxa imediatamente. Era um daqueles momentos em que você só percebe que está cansada quando para. Minhas irmãs me seguem e sentam naquele sofá comigo.

—Lindo né?

Pergunta Cam. Concordamos com a cabeça. Vai ser ainda mais bonito depois que eu dormir e acordar descansada amanhã. A porta do apartamento abre e Eva entra. Ela nos olha e apontando para uma porta no fim do corredor:

-Meninas, o banheiro é ali.

-Vamos vestir o que?

Pergunto depois de pensar um pouco. Apesar de ter um sono pesado, eu realmente preciso está confortável para dormir. Calças de ouro não estão inclusas no meu conceito de confortável. Caryn concordando comigo complementa:

-Não podemos voltar para casa e as lojas de conveniência estão fechadas uma hora dessas.

-Te empresto o meu suéter, pronto?

Pergunta Dexter como quem diz que o tempo está bom. Franzo as sobrancelhas para ele. Adianta tomar banho para vestir uma roupa suada? E ele vai ficar andando por ai sem camisa? Não penso muito e questiono:

-Você vai ficar se exibindo por ai?! Olha, pode acabar pegando uma gripe.

-Angel, você é incapaz de ficar satisfeita? E não, eu não vou ficar me exibindo por ai. Muito menos pegar uma gripe.

-Are are! Dexter já que você insiste, aceito seu suéter. E não sei nada sobre vampiros, vai que pegam gripes.

Concordo cruzando os braços. Antes uma roupa confortável e suada a uma roupa desconfortável e suada. E esse suéter do vampiro parece confortável como uma colcha. Como Dexter é alto, não vou ficar com a bunda de fora. No final é satisfatório. O vampiro fecha a cara quando ouve vampiro, mas a verdade é que essa historia Presai não me convenceu. Alef olha para mim, e não sei se ele estava brincando ou serio quando esclarece:

-Não pegam.

Dexter mais irritado do que o normal, fulmina Alef com os olhos e vira-se para mim com desaprovação:

-Quantas vezes eu te falei que não sou um vampiro?!

-Pelo menos mais umas mil vezes. Tenta me convencer sem essas presas, talvez eu acredite.

-Eu não tenho que te provar nada.

Retruca o vampiro. Não sei o que deu nele. Apesar do Dexter sempre reagir como se não tivesse a idade dele as minhas provocações, ele estava realmente um tom acima agora. Oi meu querido, quem perdeu a casa e teve o mundo virado de cabeça para baixo fui eu e não estou tão pilhada. Possivelmente não estou com energia para ficar ainda mais irritada, então não penso em nada para responder Dexter.

-Ele vai à pilha mesmo.

Comenta Alef colocando as mãos atrás do pescoço. Dexter olha para o Alef como se ele fosse um demônio na sua vida e esbraveja:

-Mais um insuportável na minha vida.

-Insuportável é o desnaturado do teu pai, eu sou apenas difícil.

Retruca Alef com um bocejo. Olho para o Garden mais novo confusa. Por que o pai do Dexter foi chamado à conversa? Alef, percebendo minha confusão, esclarece com um sorriso de deboche:

-Enzo é o pai biológico do Dexter.

-AH! Por isso ele tinha aqueles olhos pavorosos.

Comento dando um soco suave em minha palma. Não é a toa que Dexter estava irritado, Enzo se quer olhou para ele. Eu tenho certeza disso por que fiquei todo esse tempo olhando para o cara. Os Garden não parecem está em bons termos com o homem. Ah! Lembrei onde vi! Foi quando os meninos estavam discutindo em frente de casa, o homem que Alef intimidou foi Enzo. Possivelmente me esqueci por que estava muito fissurada nas presas de Dexter. Se o meu suposto pai ítalo, me ignorasse efetivamente, nem sei o que eu faria. Apesar de que ele sumiu, né? Não sei o que é pior, um pai desaparecido ou um que renega abertamente.

Dexter me encara ofendido e indaga:

-Licença?!

-Não se preocupe Dexter, os seus também são.

Respondo piscando um pouco. Os olhos de Dexter são pavorosamente bonitos. Eles têm uma cor que me lembra o mar, aquele momento em que as ondas ainda estão em pé, prestes a desaguar. Talvez um pouco mais verde do que isso, como as águas de uma praia de areia branca. Dexter se curva em minha direção até seu rosto está na altura do meu e com as sobrancelhas franzidas retruca:

-Meus olhos são lindos, você que é míope.

-Pavorosos, meu filho, pavorosos eles são.

Insisto cruzando os braços. Só de ver a cara do Dexter meu coração forma muralhas, com um fosso. Só de pensar em admitir meu rosto queima. Dexter também é insistente e continua:

-Está enxergando errado, olha de novo, olha direito.

Desvio o olhar, sentindo meu rosto ficar vermelho. Quero me dar um tapa para deixar de ser besta. É só o Dexter! O Garden contrariado desafia:

-Quem desviar o olhar primeiro perde.

Olho imediatamente para ele. Dexter sorri vitorioso. Ou ele estava me mostrando as presas. Não sei. Depois de respirar fundo digo:

-Já que você insiste.

Não sou mulher de fugir de desafio. Vou te encarar até tu se sentir constrangido! Firmo minha determinação, arregalo os olhos e encaro o Dexter. Fico pensando em insetos verdes para não corar.

-Vão se beija, é?

Pergunta Alef com risos no olhar depois de uma árdua e constrangedora batalha. Desviamos os olhos ao mesmo tempo. Meu rosto queimou de vergonha. Não sei o porquê fico tão pilhada com o Dexter. Caryn, aparentemente saída do banheiro, enxugando o cabelo em uma toalha preta e vestida com uma camisa de manga bege imensa, franzo as sobrancelhas e questiona:

-Vocês ainda estão nessa?

-Vou tomar banho primeiro.

Digo levantando e andando para o banheiro em um ritmo acelerado. Ouço o Dexter bradando no fundo:

-Fujona!

Paro na porta do banheiro e faço um careta para ele. Não sou eu que vou admitir que os olhos do Dexter tão bonitos que meu coração até bate mais forte.

-Ah! O suéter!

Chama Dexter me fazendo colocar o rosto para fora. Ele tira o suéter e joga para mim. Agarro com as mãos e entro rapidamente no banheiro e dou batidinhas no rosto para amenizar o calor. Penduro o suéter no lugar da toalha que estava no banheiro.

Ao sair do chuveiro tive a sensação de que a água tinha lavado meu estresse. Eu poderia ficar horas no chuveiro. Enrolada na toalha, eu olho para o suéter de Dexter. Seguro a peça, era macio e quente. Mais forte do que eu levo-o ao nariz. O cheiro era erval, terroso e refrescante. Não estava suado. Estranho.

Visto o suéter. Pareceu um vestido curto, mas era quente, confortável e fiquei tentada a não devolver quando essa confusão acabasse. É um ótimo pijama. Saio do banheiro secando o cabelo. Olho para o Dexter. Ele realmente não estava se exibindo. Estava dignamente em uma camisa segunda pele térmica da cor preta. Apesar de que a camisa deixava em evidencia seu físico malhado. Não só Dexter, mas Alef e Cam também estavam usando uma parecida.

Dexter parecendo que sentiu meu olhar, me encara de volta. Sinto um comichão. E uma vontade irresistível de perturbar o Dexter. Então, dando pulinhos, dou a volta no Garden, meio que me exibindo. Como se pressentisse algo, Dexter cruza os braços e semicerra os olhos. Paro na frente dele e com um sorriso adorável, digo:

-Olha Dexter fico melhor com seu suéter do que você...

 A sobrancelha de Dexter levanta e ele sorrir, se inclina um pouco em minha direção e responde:

-Pensando bem, estou sentindo frio, então devolve meu suéter.

-Não.

Respondo ainda adorável. Boa tentativa Garden, boa tentativa. Dexter olha para cima e pensa um pouco. Um brilho perigoso aparece nos seus olhos. O Garden olha para mim como se tivesse chegado a um epifania. Com um sorriso encantador que me deu arrepios e fez meu coração bater forte, o Vamp diz:

-Sabe, Angel você tem razão...

-Sobre?

Pergunto sentindo que estou caindo em uma armadilha.

-Você realmente fica linda no meu suéter.

Responde Dexter com uma das sobrancelhas levemente levantada. Meu rosto esquenta imediatamente, meu coração era uma escola de samba e as replicas fogem de minha mente. Merda! O Garden venceu essa. Com um sorrisinho que me fez querer dar um tapa nele, o Garden dá um pitelo suave em minha testa e vai embora, vitorioso.

Esfrego minha testa chateadissima e sento no sofá. Beverly, na camisa que o Alef usava anteriormente, que parece um vestido de tão grande nela, me recepciona com um esboço de sorriso:

-Gosta de perturbar, né?

Respondo com um Tsk. A próxima eu ganho. Como eu ia imaginar que Dexter Garden usaria essa tática. Uma tática suja. Eu não imaginava que ele me chamaria de linda. Fiquei encabulada. Meu coração ainda está acelerado. Parece que a minha testa esta criando um terceiro olho de tão quente que está o lugar do piteleco.

-Que cara feia, Angel.

Comenta Caryn sentando ao meu lado com as sobrancelhas franzidas. Não respondo Caryn. Não estou com vontade. A Beverly com um sorriso esclarece a Caryn:

-Ela foi perturbar o Dexter e ele deu a volta por cima.

-Ah! Então é por isso a cara feia.

-Ele a chamou de linda.

Continua Beverly, sussurrando, em tom de fofoquinha. A Caryn entra na pilha e comenta como se realmente soubesse de alguma coisa:

-Oho! Sempre soube que nesse angu tinha caroço.

-Não tem nada nesse angu. Não tem angu.

Retruco irritadíssima levantando do sofá, indignada. Quem merece essas irmãs fofoqueiras de plantão? Dexter disse que sou linda para perturbar! Ponto final. Não sei nem o porquê eu estou assim, toda cheia de tremelim. Na verdade eu sei, mas não vou admitir, por que eu não quero. O homem nem é humano! Quer dizer, aparentemente eu também não sou, mas não estou dissertando sobre mim.

-Está de mal humor novamente?

Questiona Cam sentando em uma poltrona. Ele dá uma olhadela para Caryn. Os irmãos dele e Eva também voltam de não sei onde. Falando em voltar, cadê minha mãe que não voltou ainda? Não a quero perto daquele Enzo, renegador de filho. Não confio naquele homem. Apesar de que minha mãe me criou, então se eu desconfio possivelmente ela também desconfia.

-Para bom humor preciso de energia, se eu estiver com fome não tenho energia.

Respondo encostando a cabeça no sofá. Meu estomago reclamou assim que eu falei fome. Gente, essa garota precisa comer! Ai, ai... Saudades do meu bolo de aniversario... Falando nisso, espero que o Grandion esteja bem. Não o vi desde antes Alef chegar em nossa casa. Não fico muito preocupada por que Grandion é um passeador, mas ainda fico preocupada, por que ele pode voltar para casa e aqueles supostos lobos ainda estarem lá.

-Você sempre está mal humorada, Angel.

Retruca Dexter, sentando também. Perco toda a paciência que não tenho e respondo:

-Calado Dexter!

-Sou eu que vou pagar sua pizza.

-Na verdade Dexter, eu até que gosto de ti.

Respondo piscando os olhos, na maior cara de pau. Vergonha é pra quem esta de barriga cheia. A minha barriga não está, portanto não tenho. Dexter rir e comenta:

-Interesseira.

Depois de comer as pizzas que foram pedidas, nos mostraram o quarto. Tinha apenas uma cama, então eu e minhas irmãs tivemos que dormir juntas. Faz tempo que não dormíamos juntas. A Beverly ficou apertada no meio. A Caryn dormiu quase que imediatamente depois que deitou.

-A mamãe não voltou ainda.

Comento para a Beverly, que estava com parte da cabeça coberta pelo lençol. Com os olhos fechados ela me responde:

-Não se preocupe, ela logo chega.

Não respondo. A Beverly acerta em todas as suas previsões. Apenas não entendo como ela não conseguiu prever que isso aconteceria. O passado do Ítalo bateu em nossa porta. Cadê ele inclusive? E por que iriam atrás de nós, não dele? Ou atrás dos Gardens? Não precisa de muita pesquisa para saber que Ítalo nunca nos procurou. Então como saberíamos sobre os assuntos dele? Suspiro pesadamente e viro de lado.

Dormi tão rápido nem lembro o momento.

Fui acordada pelo Dexter. Ele estava me balançando com tanto ímpeto que rosno. Que palhaçada é essa? Nem se quer amanheceu e a escuridão imperava. Exceto pelos olhos brilhantes de Dexter. Será que estou sonhando com o Dexter me enchendo o saco? Isso é exagero, cérebro. Viro para o lado.

-Acorda mulher!

Irrita-se o Garden, com um tom muito grosso. Dexter realmente está me balançando. A irritação me acorda e eu respondo:

–Que foi?

Acordar alguém antes do sol nascer é péssimo! Eu ainda estou exausta. Tiro as remelas sentindo o meu pior vi a tona. Eu vou ficar mal humorada o dia todo hoje.

–Temos que ir Angel.

Responde a Beverly, atrás de Dexter, o livrando de ter a cara toda arranhada. Ela parecia preocupada. Jogo o cobertor para lado e saio da cama. O que aconteceu para estarem me acordando antes do sol?

-O que aconteceu?

Indago com um tom muito acima do normal.

–Enzo nos traiu, temos que sair daqui.

Responde Alef. Pisco um pouco lenta. Enzo? Quem é Enzo? Ah! O pai do Dexter! Ele nos traiu? Por que nos traiu? E minha mãe? E por quem ele tinha nos traído? E o que faríamos agora? A meu Deus! Eu não posso nem dormi direito mais? Invasões e agora traições. Onde é que Ítalo nós meteu?!

-Cadê minha mãe?

Pergunto preocupada.

–Temos que ir Angel!

Avisou novamente Beverly muito enfática, com os olhos azuis arregalados. Visto minhas roupas rapidamente e amarro o suéter do Dexter na cintura. Saímos do quarto e eu queria voltar. A Base inteira estava uma confusão de animais mutantes e sadic lutando. Não vi minha mãe em nenhum momento. Nem a Aaron. Ou a Bonnie. Tão pouco a Eva. Espero que eles estejam bem.

Depois de muito puxa prá cá, puxa pra lá, da parte de Dexter, chegamos à entrada da Base. Alef estava na frente. Quando os mutantes o atacavam, a terra se abria e os engolia. Alguns entravam em combustão, outros eram dilacerados por facas invisíveis, e tinham aqueles que simplesmente caiam. Aquela aura intimidadora do Alef estava a todo vapor. Ele deixava um rastro de sangue mutante onde pisava o pé. Assustador.

Realmente, estava uma confusão tão grande que ninguém se importou conosco. Quando finalmente saímos da base, sinto alguém atrás de mim. Sou empurrada com tanta força que sinto meu corpo saindo do chão.

O mundo fica nublado.

Todo um lado do meu corpo doía e latejava. Sinto que estou flutuando. Abro os olhos e me vejo em uma bolha semitransparente azul elétrico.

O Trouble que invadiu nossa casa, o segundo mais precisamente, ia em direção da Beverly, que estava com as duas mãos estendidas em minha direção. Seu nariz estava sangrando. Os olhos da minha irmã reviram e ela cai desmaiada. A bolha ao meu redor quebra. Levanto e corro contra o Trouble. Alef que estava um bem mais na frente estava limpando o caminho para nós, vira-se para trás como se pressentisse o perigo, os olhos arregalados, de um vermelho cada vez mais escuro e começa a correr em nossa direção. A Caryn volta assim que a Beverly começa a pender, com os braços estendidos para ajudar a Beverly, como se ela pudesse chegar a tempo. Cam dá meia volta. Um mutante saído do inferno que o pariu, faz posição de atacar a Caryn. Mudo a minha posição. Como eu poderia ajudar? Não sei! Ainda assim, com todas as minhas forças corro na direção da Caryn. Sou agarrada novamente e derrubada no chão.

O mutante ataca.

Ao mesmo tempo Cam pula em direção do mutante e se transforma em pleno ar em um lobo gigante.

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